A Guarda Nacional Republicana (GNR) alertou para o aumento de burlas associadas ao arrendamento de casas de férias, um fenómeno que continua a espalhar-se pelo território nacional e que já atinge com maior expressão regiões do interior, como o Alentejo. Segundo dados divulgados e citados pela Lusa, foram registadas 725 ocorrências em 2025.
Apesar de uma ligeira redução de 5% face a 2024, quando se contabilizaram 762 casos, a GNR sublinha que o crime permanece “disperso por todo o território”, com incidência crescente fora dos principais centros turísticos tradicionais.
Interior ganha peso nas burlas
No Alentejo, o distrito de Portalegre evidencia a tendência de crescimento: passou de quatro crimes em 2024 para 10 em 2025, o que representa um aumento de 150%. Este agravamento acompanha a evolução verificada noutros distritos do interior, sinalizando uma mudança no padrão destas burlas, tradicionalmente mais associadas a zonas costeiras e grandes cidades.
Ainda assim, o litoral mantém números elevados. Faro lidera com 153 ocorrências (cerca de 21% do total), seguido de Setúbal (91) e Lisboa (86), segundo a informação avançada pela GNR.
Esquemas exploram procura por férias
De acordo com a Guarda, o esquema mais comum passa pela criação de anúncios falsos em plataformas digitais, utilizando fotografias reais de imóveis e preços abaixo do mercado para atrair potenciais arrendatários.
O objetivo é induzir as vítimas a pagar um sinal para garantir a reserva, muitas vezes sem qualquer visita ao local. “A burla é frequentemente detetada apenas meses depois”, refere a GNR, quando o contacto desaparece ou o imóvel não existe ou não está disponível.
Entre 2024 e 2025, foram detidos três suspeitos relacionados com este tipo de crime.
Recomendações da GNR
Face à aproximação da época de férias, a GNR reforça os alertas e recomenda cuidados adicionais, nomeadamente desconfiar de preços demasiado baixos, evitar pagamentos antecipados sem visita ao imóvel e confirmar a identidade do anunciante.
A verificação das imagens utilizadas nos anúncios, para perceber se estão replicadas noutras plataformas com dados distintos, é outra das medidas aconselhadas, assim como a correspondência entre o titular da conta bancária e o nome do anunciante.
A Guarda apela ainda à população para não ceder à pressão de decisões rápidas, frequentemente justificadas com a existência de “muitos interessados”, uma das estratégias mais usadas pelos burlões.















