O Dia Mundial da Diabetes assinala-se hoje, num contexto em que o Programa Nacional para a Diabetes divulgou o relatório anual com dados de 2023-2024. O documento apresenta indicadores sobre prevalência, risco, vigilância e complicações em todas as regiões do país, incluindo o Alentejo.
A região mostra particularidades na evolução do risco, na vigilância clínica e nas complicações associadas à doença. O relatório confirma que o Alentejo acompanha as tendências nacionais, mas mantém valores elevados em alguns indicadores sensíveis.
Mais de 137 mil utentes avaliados no Alentejo
No triénio 2022-2024, a avaliação de risco da diabetes tipo 2 abrangeu 137 975 utentes no Alentejo. Este número corresponde a 46% da população alvo. A região apresenta a segunda menor taxa nacional de cobertura, apenas acima de Lisboa e Vale do Tejo.
A avaliação de risco é uma ferramenta usada pelos cuidados de saúde primários para identificar utentes que necessitam de vigilância reforçada ou intervenção precoce.
Risco alto aumentou nos últimos anos
A evolução dos graus de risco revela mudanças importantes no Alentejo. O risco alto passou de 13,8% em 2018/2020 para 15,2% em 2022/2024. O relatório mostra ainda:
- 28,5% dos utentes avaliados com risco baixo
- 35,9% com risco ligeiro
- 19,4% com risco moderado
- 1,1% com risco muito alto
A proporção de casos de risco alto no Alentejo é superior às regiões Norte e Centro e aproxima-se dos valores de Lisboa e Vale do Tejo.
Complicações: úlcera do pé e amputações mantêm-se acima da média nacional
A vigilância das complicações associadas à diabetes é um dos eixos centrais do relatório. No Alentejo, a proporção de utentes com úlcera ativa do pé diabético atingiu 0,27% em 2024. A média nacional situa-se nos 0,23%.
O número de internamentos por amputação de membro inferior também apresenta particularidades na região. Em 2023, o Alentejo registou 12,2 internamentos por 100 mil habitantes. Este valor desceu face a 2021, ano em que atingiu 15,9.
Estas variações revelam oscilações anuais, mas mantêm a região entre as que registam percentagens mais elevadas de complicações graves.
Rastreio da retinopatia e controlo clínico sob vigilância
O relatório aponta um recuo no acesso ao rastreio da retinopatia diabética em Portugal. A taxa nacional de cobertura populacional situou-se nos 46% em 2024. O Alentejo acompanha esta tendência, embora o relatório não discrimine o valor regional.
O documento sublinha ainda que 70% das pessoas com diabetes em Portugal apresentam valores de HbA1c até 8%. O controlo dos fatores de risco cardiovasculares também evoluiu positivamente, com 79% dos utentes com pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg.
ULS do Baixo Alentejo integra projeto europeu de prevenção
A região integra iniciativas nacionais e europeias com foco na prevenção e autogestão da doença. No projeto europeu “Care4Diabetes”, dedicado à adoção de estilos de vida saudáveis, participam várias unidades locais de saúde, incluindo a ULS do Baixo Alentejo.
Este projeto piloto desenvolve programas comunitários e monitoriza a evolução dos participantes ao longo de vários meses.
Alentejo reforça vigilância através das novas equipas de coordenação
O relatório destaca alterações na governação do Programa Nacional para a Diabetes. O Despacho n.º 3390/2025 determinou a criação das Equipas de Coordenação Local (ECL-PND) em todas as Unidades Locais de Saúde.
Estas equipas incluem representantes dos utentes e dos municípios e assumem funções de articulação entre cuidados primários e hospitalares.
No Alentejo, as novas equipas passam a assumir o planeamento local da vigilância da diabetes, incluindo rastreios, consultas e acompanhamento das complicações.
Dia Mundial da Diabetes marcado por dados que reforçam a necessidade de prevenção
A edição deste ano do Dia Mundial da Diabetes surge acompanhada por dados que mostram:
- aumento do risco alto na região
- percentagens superiores à média nacional em complicações como úlcera do pé
- oscilações na taxa de amputações
- necessidade de reforço do rastreio da retinopatia
O relatório sublinha a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da intervenção comunitária. O Alentejo segue estas diretivas, integrando programas nacionais e europeus que procuram reduzir o impacto da doença.















