A segunda edição do Mercado do Património Cultural Imaterial abriu esta sexta-feira, 5 de junho, em Estremoz, reunindo 64 mestres do saber-fazer tradicional provenientes de várias regiões do país, numa iniciativa que regista crescimento face à edição inaugural.
O evento, promovido pela Confraria do Boneco de Estremoz com o apoio do Município de Estremoz e de várias entidades parceiras, decorre no Jardim Municipal até domingo e apresenta este ano mais participantes, mais dias de programação e a presença, pela primeira vez, de representantes dos Açores e da Madeira.
Em declarações aos jornalistas, o Grão-Mestre da Confraria do Boneco de Estremoz, Alexandre Correia, destacou a evolução registada desde a primeira edição.
“Já houve um crescimento notório, notório e bastante considerável. Temos mais mestres, mais saber-fazer representado neste Mercado do Património Cultural Imaterial. Temos também um representante da ilha dos Açores e outro representante da ilha da Madeira, com trabalhos naturalmente tradicionais nesses territórios”, afirmou.
O responsável sublinhou ainda que o balanço da edição de estreia levou a organização a avançar para um formato mais alargado.
“O report que nós tivemos relativamente à edição do primeiro ano foi extremamente positivo. Foi muito bom. Aliás, levou-nos a ser finalistas na categoria Entidades Privadas nos Prémios Nacionais do Artesanato. Percebemos que podíamos crescer. Percebemos que, estruturalmente e racionalmente, poderíamos fazer algo ainda melhor”, acrescentou.
Estremoz assume-se como ponto de encontro do património imaterial
Ao longo de três dias, o mercado reúne mestres artesãos de norte a sul do país, permitindo ao público contactar diretamente com técnicas, ofícios e tradições transmitidas entre gerações.
Além da componente expositiva, os participantes realizam demonstrações ao vivo dos seus trabalhos, enquanto o programa integra também atuações musicais representativas de várias regiões portuguesas.
Para Alexandre Correia, o evento contribui para afirmar a cidade no panorama nacional do património cultural.
“Temos várias atrações musicais para animar este espaço e para, inequivocamente, assinalar Estremoz como capital do nosso património cultural imaterial”, referiu.
A mesma ideia foi defendida pelo presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Sádio.
“Este fim de semana Estremoz é a capital do património imaterial e cultural do nosso país, com a excelência do que está aqui representado, com 64 mestres de artes tão distintas e de pontos tão longínquos do nosso território continental e ilhas”, afirmou.
Preservar saberes e criar oportunidades para os artesãos
José Sádio considerou que o Mercado do Património Cultural Imaterial representa uma oportunidade para valorizar os mestres artesãos e contribuir para a preservação dos seus conhecimentos.
“Aquilo que temos aqui neste jardim, ao longo destes três dias, é a excelência do nosso artesanato, do país de norte a sul e ilhas, num hino àquilo que é a nossa cultura e as nossas tradições”, afirmou.
O autarca defendeu ainda que a iniciativa ajuda a dar visibilidade aos artesãos e a criar condições para a continuidade das suas atividades.
“Sentimos que, ao trazermos aqui a Estremoz, colocamos Estremoz no centro do património cultural imaterial. Estamos também a dar uma ajuda e um contributo para que cada um deles, na sua arte, na sua terra, consiga criar visibilidade e condições para se sustentar e para que nenhuma destas artes se perca no futuro”, acrescentou.
Jovens mostram interesse pelas tradições
Um dos aspetos destacados por Alexandre Correia foi o crescente envolvimento das gerações mais jovens nas atividades ligadas ao património tradicional.
“Nós hoje em dia vemos os ranchos, vemos os grupos de cantares tradicionais também cheios de crianças. Vemos as crianças, junto dos pais, dos tios e dos avós, a aprender. E isto, de facto, faz com que eles se sintam valorizados e que valha a pena apostar no artesanato e dar continuidade a este legado familiar”, afirmou.
O responsável considera que iniciativas como o Mercado do Património Cultural Imaterial podem desempenhar um papel importante na transmissão destes conhecimentos às novas gerações.
A segunda edição do certame integra ainda um conjunto de conferências dedicadas ao património cultural imaterial, que decorrem no Museu Berardo Estremoz, complementando um programa que pretende aproximar o público dos mestres e dos saberes tradicionais de várias regiões do país.













































































































































































