Presente na comemoração dos 130 anos de Florbela Espanca, em Vila Viçosa, Elsa Ligeiro, escritora e editora, criticou o ensino em Portugal por «não ensinar Florbela Espanca».
Questionada pel’ODigital, a escritora destacou que «há muita culpa do ensino» nesse aspeto, já que «vivemos um tempo em que os próprios professores não são bons leitores».
«Um bom leitor acaba sempre por mostrar a sua paixão por determinados autores e os professores têm uma biblioteca muito reduzida», acrescentou.
Elsa Ligeiro sublinhou também que que «os alunos não chegam lá sozinhos, sem a indicação do professor» e que, nas aulas, «falta falar dos autores»: «O ensino do português, não é a história da literatura».
«Os alunos podem depois ter as suas escolhas, mas sem a informação é muito difícil passar. Não é só dar uma listagem de nomes», frisou a editora.
A escritora comentou ainda que este tipo de ensino «faz afastar os ‘miúdos do nono ano’ da literatura», pela «falta de diversidade de autores».
«Todo o século XX é de grandes autores, não é só Fernando Pessoa, mesmo que não se retire o mérito, até porque transcende a poesia. Mas não é o único», adicionou.
Desta forma, afigura-se como um «trabalho árduo», mas que «tem de se fazer». Contudo, «sem a escola é totalmente impossível».
«Agora na escola não se lê a Florbela Espanca. Eles não perguntam pela Florbela Espanca», disse ainda.
Comentou também que «é uma pena que não se valorize esse património», que não é «só português e da língua portuguesa», mas sim «um valor que podemos tornar universal».
«São os artistas que constroem a identidade portuguesa e acho que o ensino não valoriza de forma muito clara e numa aposta séria, todo este património», concluiu.















