O Terroir – Festival Literário de Reguengos de Monsaraz foi apresentado esta quarta-feira com a vereadora da Cultura, Dina Simão, a destacar o envolvimento da comunidade e a aposta na articulação entre educação e cultura como pilares da iniciativa.
Na conferência de imprensa, a responsável classificou o festival como uma evolução natural da Feira do Livro, sublinhando o seu caráter mais abrangente. «Este festival tem sido o menino dos meus olhos nos últimos tempos» e representa «um festival que nasce do território e para o território», afirmou.
Um festival construído com a comunidade
Dina Simão destacou que a organização procurou mobilizar diferentes agentes locais, desde escolas a associações e coletividades, garantindo uma participação alargada. «Contamos com os nossos alunos, com o agrupamento muito envolvido, com as associações e coletividades», referiu.
Segundo a vereadora, esta ligação à comunidade foi determinante na construção do programa e na definição do modelo do festival, que pretende chegar a públicos diversificados.
«A cultura anda de mãos dadas com a educação», afirmou, explicando que essa orientação esteve presente na programação, com atividades dirigidas a várias faixas etárias.
Programação arranca com autores locais e ligação ao território
O festival inicia-se a 17 de abril com uma tertúlia que reúne escritores de Reguengos de Monsaraz, numa escolha que pretende reforçar a ligação ao território. «Temos cerca de 20 autores confirmados» para este momento inicial, indicou.
A escolha da Adega das Flores para a pré-abertura foi também justificada pela intenção de associar o evento ao conceito de “terroir”, estabelecendo uma relação entre literatura, vinho e território.
Entre as atividades destacadas está a “Caminhada com Palavras”, que inclui um percurso pelas vinhas com momentos culturais. «Vamos caminhar pelas vinhas e teremos um concerto de harpa», explicou, descrevendo a iniciativa como um momento que cruza natureza e expressão artística.
Atividades para diferentes públicos ao longo da semana
A programação inclui iniciativas dirigidas a crianças, jovens e seniores, com destaque para a participação do Agrupamento de Escolas de Reguengos de Monsaraz. Durante a semana, estão previstas atividades educativas organizadas pelo município e dinamizadas também pelos alunos.
«Temos atividades do pré-escolar ao segundo ciclo e também os nossos jovens a dinamizarem iniciativas ao final do dia», referiu.
Para a população sénior, está prevista uma sessão de histórias e humor com Jorge Serafim, envolvendo instituições sociais do concelho. «Queremos que seja um momento para todos», afirmou.
O programa inclui ainda apresentações de livros, espetáculos de música, teatro e momentos de stand-up comedy, bem como o Encontro de Tunas da Universidade Popular Túlio Espanca.
Descentralização e participação cultural
Outro dos objetivos do festival passa pela descentralização das atividades, levando iniciativas a várias localidades do concelho. Dina Simão destacou, por exemplo, a exposição evocativa de António Lobo Antunes, que será distribuída por diferentes espaços.
«Tentámos descentralizar o festival», afirmou, sublinhando a intenção de alargar o acesso à programação.
A vereadora destacou ainda momentos como o jantar temático “Sabores do Terroir”, que procura ligar literatura, gastronomia e vinho, e a presença dos escritores Mia Couto e José Eduardo Agualusa no encerramento do evento.
Cultura como fator de desenvolvimento
Na intervenção, Dina Simão sublinhou o papel da cultura e da educação no desenvolvimento das comunidades, defendendo uma oferta cultural acessível a todos.
«O código postal não deve definir nem a educação nem a cultura do sítio onde vivemos», afirmou, acrescentando que o objetivo é «levar a cultura a toda a população, dos mais jovens aos mais seniores».
O Terroir – Festival Literário de Reguengos de Monsaraz decorre entre 17 e 26 de abril, com atividades distribuídas por vários espaços do concelho e uma programação que cruza literatura com diferentes áreas artísticas.















