A Feira do Livro de Évora regressa entre 2 e 9 de maio, na envolvente ao Templo Romano, assumindo-se como ponto de partida para a criação de um Festival Literário a partir de 2027. A estratégia foi apresentada pelo presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, que enquadrou o evento no percurso da cidade rumo à Capital Europeia da Cultura.
Na apresentação pública do programa, realizada a 8 de abril, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o autarca definiu a edição deste ano como «o ano zero do Festival Literário de Évora», sublinhando que o projeto «virá para ficar» e será integrado na programação de Évora 2027, prolongando-se depois como parte do legado cultural da cidade.
Um evento integrado na estratégia para Évora 2027
A leitura do município é clara: a Feira do Livro deixa de ser apenas um evento anual para assumir uma função estruturante na política cultural local. «Este Festival Literário fará parte da programação da Capital Europeia da Cultura em 2027 e, depois, fará parte do seu legado», afirmou Carlos Zorrinho, estabelecendo uma ligação direta entre o certame e o posicionamento internacional da cidade.
O presidente da autarquia enquadrou ainda esta evolução num processo mais amplo de valorização cultural, referindo que Évora pretende consolidar-se como «capital europeia ao sul» e reforçar o seu papel enquanto centro de criação e difusão cultural.
Da tradição à transformação do modelo
A Feira do Livro de Évora tem um percurso consolidado, que o próprio autarca recordou, assinalando a sua evolução ao longo das últimas décadas. «Este é um evento que afirma há muitos anos a cidade de Évora», referiu, acrescentando que o objetivo atual passa por «dar um passo em frente» e transformar o modelo num festival centrado no livro e na criação literária.
Essa transição assenta numa programação alargada e diversificada, dirigida a diferentes públicos, e numa lógica de continuidade que permitirá consolidar o evento ao longo dos próximos anos.
Cooperação institucional como base do projeto
Um dos eixos destacados por Carlos Zorrinho foi o trabalho em rede entre instituições culturais, académicas e entidades locais. «É o trabalho de todos que faz a capital europeia da cultura», afirmou, apontando a cooperação como condição para a concretização dos objetivos definidos.
O autarca sublinhou ainda que a mobilização de diferentes agentes culturais e económicos é determinante para a afirmação do projeto, defendendo uma lógica de co-criação que envolva a cidade e os seus parceiros. «Se trabalharmos em conjunto, fazemos muito mais», acrescentou.
Programação liga literatura, história e participação
A edição de 2026 integra uma evocação a Luís de Camões na sessão inaugural, no âmbito das comemorações dos 500 anos do seu nascimento, bem como iniciativas que cruzam literatura com outras áreas culturais.
Entre os momentos previstos destaca-se uma conversa sobre a relação cultural entre Évora e o Japão e a passagem do Comboio Literário, a 9 de maio, que reunirá autores portugueses e internacionais.
O programa inclui ainda música, teatro e oficinas, numa tentativa de alargar o público e diversificar a oferta cultural.
Cidade como palco e participação alargada
A Feira decorre na zona do Templo Romano, com extensão ao Jardim Diana, reforçando a ocupação do espaço público. Segundo a vereadora Carmen Carvalheira, o objetivo passa por promover encontros entre autores, livreiros e leitores, num formato aberto à participação da comunidade.
Entre as novidades está o projeto «O Livro da Minha Vida», que convida a população a partilhar obras de referência, integrando os contributos no programa do evento.
Um legado em construção
A criação do Festival Literário é apresentada como parte de um conjunto de investimentos culturais em curso no concelho. Carlos Zorrinho integrou este projeto num «legado em construção», que inclui outras iniciativas e equipamentos culturais previstos para a cidade.
A expectativa do município é que a evolução da Feira do Livro permita consolidar Évora como um polo cultural com projeção nacional e internacional, num momento em que a cidade se prepara para assumir o título de Capital Europeia da Cultura em 2027.

































