A gastronomia deve assumir-se como um dos pilares centrais do modelo de desenvolvimento turístico em Portugal, contribuindo para a criação de valor económico, coesão territorial e afirmação internacional do país. A posição foi defendida pelo presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, durante a Gala do Guia Repsol 2026, realizada em Évora.
Num momento que reuniu agentes do setor da restauração e do turismo, o responsável enquadrou a evolução do setor turístico nacional, sublinhando que «o turismo está efetivamente numa altura de transição», após um percurso que classificou como determinante para a economia portuguesa.
Da quantidade ao valor no modelo turístico
Carlos Abade defendeu uma mudança de paradigma no crescimento do turismo, centrada na valorização dos territórios e não apenas no aumento de fluxos. «O modelo de desenvolvimento do setor do turismo deve priorizar cada vez mais a criação de valor em detrimento do volume», afirmou, apontando também para a necessidade de um desenvolvimento equilibrado entre regiões.
Segundo o presidente do Turismo de Portugal, o turismo deve ser entendido como um instrumento ao serviço do país. «O turismo não é um fim em si mesmo. O turismo é um veículo para que possamos fazer com o turismo um país cada vez melhor», referiu, destacando o impacto na economia e na qualidade de vida das populações.
Gastronomia como ativo central da estratégia
No contexto desta transformação, Carlos Abade colocou a gastronomia no centro da estratégia turística nacional. «A gastronomia é de facto um ativo central deste modelo de desenvolvimento», afirmou, sublinhando o seu peso económico e a ligação a múltiplas atividades.
O responsável destacou que a gastronomia vai além da dimensão económica, assumindo também um papel cultural e identitário. «Estamos a falar de um valor económico, mas também de um valor cultural e de um valor identitário que é particularmente relevante», referiu.
Para Carlos Abade, este fator torna-se determinante na valorização global do território, permitindo criar experiências diferenciadoras. «A gastronomia pode motivar a visita a todo o país», afirmou, defendendo que este recurso contribui para distribuir a procura turística e gerar valor em diferentes regiões.
Coesão territorial e valorização dos destinos
A capacidade da gastronomia para promover a coesão territorial foi outro dos pontos destacados. Segundo o responsável, «se queremos crescer de forma equilibrada, temos de conseguir que haja vontade de conhecer todo o território», identificando a gastronomia como um dos principais motores dessa dinâmica.
Neste contexto, a promoção de eventos como a Gala do Guia Repsol surge integrada numa estratégia mais ampla de valorização dos destinos e da oferta turística.
Formação, inovação e internacionalização
Carlos Abade destacou ainda o papel das escolas de hotelaria e turismo na formação de profissionais do setor, referindo que «uma parte muito relevante dos chefs que hoje são reconhecidos começaram a sua formação» nessas instituições.
O presidente do Turismo de Portugal apontou também a aposta na internacionalização da gastronomia nacional e no desenvolvimento de novos projetos, como o Centro de Inovação para a Gastronomia, que pretende reforçar o posicionamento de Portugal neste domínio.
Gastronomia como fator de diferenciação internacional
Na leitura do responsável, a gastronomia deixou de ser um complemento da experiência turística para assumir um papel central. «Já não é uma dimensão complementar. É um ativo estratégico para a dinamização de Portugal enquanto destino turístico», afirmou.
Esta mudança traduz-se também na capacidade de atrair visitantes motivados especificamente pela oferta gastronómica. «É um ativo que constitui já um motivo de visita ao país», acrescentou, sublinhando o impacto na valorização da marca Portugal.
Reconhecimento do setor e dos profissionais
No final, Carlos Abade deixou uma referência ao trabalho dos profissionais da restauração, considerando que têm sido determinantes para elevar o nível da gastronomia nacional. «Têm sido absolutamente fundamentais para elevar o valor da gastronomia nacional», afirmou, destacando a importância da criatividade e da atenção ao detalhe como fatores de competitividade.















