A Carta por Pontos assinala no próximo dia 1 de junho uma década de existência em Portugal. Desde a entrada em vigor do sistema, em 2016, foram registadas 1.016.083 ocorrências com impacto direto no registo dos condutores, segundo dados divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
Ao longo destes dez anos, foram também cassadas 4.297 cartas de condução devido à acumulação de infrações graves que inviabilizaram a manutenção do título de condução.
Excesso de velocidade continua a liderar infrações
De acordo com a ANSR, o excesso de velocidade mantém-se como a principal causa de perda de pontos, representando 67,76% das ocorrências registadas. Em números absolutos, foram contabilizadas 688.452 infrações relacionadas com velocidade excessiva.
A utilização do telemóvel durante a condução surge em segundo lugar, com 107.699 infrações (10,60%), seguindo-se as infrações de paragem e estacionamento, com 63.654 registos (6,26%). A condução sem seguro correspondeu a 45.232 ocorrências (4,45%) e a condução sob influência do álcool a 34.596 infrações (3,40%).
Sistema registou pico em 2022
A evolução anual mostra um crescimento significativo do número de ocorrências desde a implementação do sistema. Em 2016, primeiro ano de vigência, foram registadas 9.717 ocorrências. O valor mais elevado da série foi alcançado em 2022, com 287.627 registos. Em 2023 contabilizaram-se 221.021 ocorrências e, em 2024, 115.756.
Mais de 759 mil condutores recuperaram pontos
A ANSR destaca também a vertente preventiva e pedagógica do modelo. Desde 2019, mais de 759 mil condutores recuperaram pontos por manterem um comportamento rodoviário sem infrações graves.
Os dados mais recentes, referentes a maio de 2026, indicam que mais de 575 mil condutores mantêm a pontuação máxima de 13 pontos, num universo superior a 867 mil condutores com registo ativo.
ANSR apela à condução responsável
Citado no comunicado, o presidente da ANSR, Pedro Clemente, considera que «a Carta por Pontos afirmou-se, ao longo destes dez anos, como um instrumento essencial de prevenção e mudança comportamental, promovendo uma maior consciencialização dos condutores para os riscos associados às infrações rodoviárias e contribuindo para uma cultura de responsabilidade e segurança».
Apesar dos resultados apresentados, a autoridade sublinha que o excesso de velocidade continua a ter uma presença expressiva no registo de infrações, enquanto a utilização do telemóvel ao volante e a condução sob o efeito do álcool permanecem entre os principais fatores de risco identificados.
A ANSR refere que continuará a apostar em ações de sensibilização, fiscalização e prevenção, enquadradas nos objetivos nacionais e europeus de redução da sinistralidade rodoviária.















