A primeira longa-metragem da realizadora Marta Mateus, intitulada “Fogo do Vento”, estreia nas salas de cinema portuguesas no próximo dia 21 de maio. O filme inspira-se nas memórias e nas comunidades do Alentejo e foi apresentado em vários festivais internacionais, tendo também integrado o circuito comercial de países como os Estados Unidos da América, Argentina e Uruguai.
A obra foi ainda incluída pela revista norte-americana The New Yorker na lista dos 20 melhores filmes estreados em 2025.
Depois da curta-metragem “Farpões Baldios”, apresentada na Quinzaine des Cinéastes do Festival de Cannes em 2017, Marta Mateus regressa ao Alentejo numa narrativa centrada nas memórias coletivas e nas histórias das populações rurais.
Um filme construído a partir das memórias do Alentejo
A história parte de uma jornada de vindima. Durante o trabalho, Soraia, uma jovem trabalhadora, corta-se e o sangue mistura-se com o vinho. Um touro negro segue-lhe o rasto, obrigando os trabalhadores a refugiarem-se nos sobreiros.
Nas copas das árvores, forma-se uma comunidade temporária onde surgem relatos sobre guerra, trabalho, relações familiares e diferentes gerações. O filme cruza elementos da memória, do quotidiano e do imaginário coletivo.
Segundo a produção, parte da narrativa resulta também da experiência pessoal da realizadora, que cresceu no Alentejo. O filho de Marta Mateus interpreta o papel do avô da cineasta, João Encarnação, mobilizado para combater na Primeira Guerra Mundial.
O elenco é constituído maioritariamente por atores não profissionais, muitos deles residentes no concelho de Estremoz. Participam trabalhadores rurais, elementos da comunidade cigana, moradores do Bairro das Quintinhas, amigos e familiares da realizadora.
Reconhecimento internacional e prémios
Após a estreia mundial no Festival de Cinema de Locarno, “Fogo do Vento” foi exibido em festivais e ciclos internacionais em cidades como Nova Iorque, Londres, Tóquio, Viena, Hamburgo e Valdivia.
O filme recebeu várias distinções internacionais, entre as quais o Prémio FIPRESCI no Festival de Gijón, em Espanha, o prémio de Melhor Primeiro Filme no Festival de Busto Arsizio, em Itália, e o Prémio Especial do Júri no Avant-Garde Film Festival de Atenas, na Grécia.
Em Portugal, Marta Mateus recebeu o prémio de Melhor Realização no Festival Caminhos do Cinema Português.
A longa-metragem tem estreia prevista na Coreia do Sul durante o verão e já foi exibida comercialmente na Argentina, Uruguai e Estados Unidos.
Produção decorreu ao longo de quatro anos
A ideia inicial para “Fogo do Vento” surgiu a partir da imagem de um touro negro imaginada pela realizadora. O projeto começou por ser pensado como uma curta-metragem, mas evoluiu posteriormente para longa-metragem.
A rodagem iniciou-se em 2021, após o período da pandemia, e prolongou-se durante quatro anos. Durante esse período, Marta Mateus assumiu também a direção de fotografia, juntamente com Vítor Carvalho, trabalhando com uma equipa reduzida.
A montagem ficou a cargo de Claire Atherton.
“Fogo do Vento” é uma produção da Clarão Companhia, fundada por Marta Mateus e Pedro Costa, em coprodução com a Casa Azul Films e Les Films d’Ici.















