A gastronomia está no centro da estratégia de crescimento turístico do Alentejo e assume-se como um dos principais fatores de afirmação da região em Portugal e no estrangeiro. A ideia foi defendida pelo presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, à margem da Gala do Guia Repsol 2026, realizada em Évora.
Num momento em que o território acolheu um dos principais eventos gastronómicos do país, o responsável destacou o peso histórico e cultural da cozinha alentejana, sublinhando que «a gastronomia alentejana é uma das expressões mais fortes do património cultural português», com raízes que atravessam diferentes períodos históricos e influências.
Entre tradição e contemporaneidade
José Manuel Santos descreveu uma gastronomia marcada pela diversidade de produtos e pela capacidade de adaptação, apontando que a cozinha regional «passa da simplicidade à sofisticação num abrir e fechar de olhos».
Segundo o responsável, esta dualidade traduz-se numa identidade própria, onde a tradição convive com abordagens contemporâneas, numa dinâmica que tem vindo a atrair novos profissionais. «É uma cozinha tradicional com muito orgulho, mas que se abre à contemporaneidade, que se abre à sofisticação», afirmou, acrescentando que o setor tem vindo a captar «novos talentos» que trabalham em conjunto com os profissionais já estabelecidos.
No contexto de Évora, o presidente da entidade regional sublinhou ainda o papel de figuras históricas da restauração local, referindo que nomes como Amor Fialho, Manuel Fialho e Gabriel Fialho tiveram influência na evolução da gastronomia e do turismo na região.
Gastronomia como motor do turismo
A ligação entre gastronomia e turismo foi outro dos eixos centrais das declarações. José Manuel Santos afirmou que o Alentejo tem registado crescimento sustentado, destacando que foi «a região do país que mais cresceu no mercado português e que mais cresceu nos mercados internacionais» em termos percentuais no último ano.
Para o responsável, este crescimento está diretamente associado à valorização da oferta gastronómica. «Não temos dúvidas que a gastronomia é um fator fundamental nesse crescimento», afirmou, defendendo a continuidade de iniciativas de promoção e eventos com dimensão internacional.
A realização da Gala do Guia Repsol em Évora foi enquadrada como parte dessa estratégia, sobretudo pela ligação ao mercado espanhol, considerado prioritário. «O mercado espanhol representa quase 20% das dormidas de turistas internacionais para a região», indicou, acrescentando que a parceria com o Guia Repsol contribui para reforçar a notoriedade do Alentejo em Espanha.
Reconhecimento internacional e posicionamento estratégico
O presidente da entidade regional destacou ainda o reconhecimento recente do Alentejo em prémios internacionais, referindo nomeações para melhor destino turístico em Espanha, num contexto competitivo que incluiu países como o Chile e o Japão.
Para José Manuel Santos, estes resultados refletem uma estratégia baseada na qualidade da oferta e não na massificação. «Uma região que cresce pela qualidade e não tanto pela quantidade», sintetizou.
Apoio ao setor e valorização dos profissionais
O responsável sublinhou também a importância de apoiar o setor da restauração, classificando-o como exigente e determinante para a economia regional. «É uma atividade exigente, é uma atividade difícil», referiu, defendendo a necessidade de criar condições para o desenvolvimento da criatividade e do empreendedorismo.
Nesse sentido, apontou que o apoio deve passar por permitir que os agentes do setor «possam florescer, possam criar riqueza, possam criar postos de trabalho», contribuindo para a dinamização económica do território.
Afirmação do Alentejo como destino gastronómico
No final da intervenção, José Manuel Santos reforçou a confiança no papel da gastronomia como eixo estruturante do turismo regional, defendendo que o Alentejo se afirma como destino consolidado. «Acreditamos muito na gastronomia como força motriz do desenvolvimento do turismo do Alentejo», afirmou.
Numa síntese da estratégia e do momento atual da região, deixou ainda uma ideia que resume o posicionamento do território: «O Alentejo não está na moda, o Alentejo é a moda».















