As II Jornadas da Saúde da Universidade de Évora arrancaram esta segunda-feira, no Palácio D. Manuel, colocando em discussão alguns dos principais desafios que se colocam ao setor da saúde no Alentejo e no país. Durante a sessão de abertura, representantes da Universidade de Évora, da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), da Câmara Municipal de Évora e das escolas da área da saúde defenderam uma abordagem integrada, interdisciplinar e próxima da comunidade para responder aos problemas atuais e futuros.
A pró-reitora da Universidade de Évora para Uma Só Saúde, Elsa Lamy, destacou que os desafios contemporâneos exigem «respostas integradas, interdisciplinares e sustentáveis», sublinhando que a região enfrenta questões relacionadas com a dispersão geográfica, o envelhecimento populacional e a necessidade de atrair e fixar profissionais qualificados. Nesse contexto, salientou a importância da estratégia da Universidade de Évora assente no conceito One Health, que reconhece a interligação entre a saúde humana, animal e ambiental.
«A Universidade de Évora reúne condições ímpares para concretizar uma visão verdadeiramente integrada da saúde», afirmou, acrescentando que a instituição pretende reforçar a sua capacidade formativa, científica e de investigação para criar «um verdadeiro ecossistema de conhecimento, inovação e impacto social na área da saúde».
Envelhecimento e literacia em saúde entre os principais desafios
O presidente do Conselho de Administração da ULS do Alentejo Central, Carlos Mateus Gomes, identificou o envelhecimento da população, a reduzida adoção de hábitos saudáveis e a falta de literacia em saúde como alguns dos principais problemas com que os profissionais lidam diariamente.
«Há uma população muito envelhecida, poucos hábitos alimentares que tragam valor acrescentado em termos de saúde e alguma falta de literacia», referiu, revelando que está a ser preparada uma campanha de promoção de hábitos saudáveis em articulação com a Câmara Municipal de Évora e outros municípios da região.
O responsável destacou ainda a crescente importância da saúde mental e das doenças cardiovasculares, apontando a transição digital e a monitorização remota dos doentes como ferramentas que poderão contribuir para melhorar os cuidados prestados. Carlos Mateus Gomes adiantou também que a criação de um curso de Medicina na Universidade de Évora continua a ser um objetivo conjunto das instituições regionais, com o horizonte do ano letivo 2028/2029.
Região enfrenta desafios específicos
A vereadora da Câmara Municipal de Évora, Carmen Carvalheira, lembrou que o Alentejo apresenta características particulares que agravam alguns dos desafios na área da saúde.
«Vivemos numa região de muito baixa densidade, com uma população muito envelhecida e localizada a longas distâncias dos serviços de saúde», afirmou. A autarca alertou ainda para o impacto das alterações climáticas no território, defendendo a necessidade de preparar a região para fenómenos cada vez mais frequentes, como as ondas de calor.
A responsável municipal destacou igualmente a importância do futuro Hospital Central do Alentejo, defendendo que a nova unidade deve estar preparada tecnologicamente para responder às necessidades de uma população dispersa. «É muito importante que seja um hospital muito preparado tecnologicamente para responder à longa distância», referiu.
Carmen Carvalheira considerou ainda fundamental reforçar a articulação entre as diferentes entidades, defendendo que «nada se faz sem uma profunda cooperação entre instituições».
Universidade quer aproximar-se da comunidade
O diretor da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano da Universidade de Évora, Armando Raimundo, sublinhou que estas jornadas refletem a missão da instituição de colocar o conhecimento ao serviço das pessoas e das comunidades.
«A escola existe precisamente para colocar o conhecimento ao serviço da saúde das pessoas e das comunidades», afirmou, destacando que o terceiro dia das jornadas será dedicado a atividades junto da população, levando a universidade para fora dos seus espaços habituais.
Segundo o responsável, a saúde deve ser encarada como um bem coletivo e não apenas como a ausência de doença. «É um resultado de condições sociais, ambientais, culturais e económicas que afetam comunidades inteiras», defendeu.
Armando Raimundo acrescentou que os desafios do Alentejo exigem «respostas criativas e adaptadas», destacando a importância da cooperação entre instituições para enfrentar projetos futuros como o novo Hospital Central do Alentejo, o reforço da investigação e a expansão da oferta formativa na área da saúde.
Formação e saúde numa perspetiva transversal
Por sua vez, a diretora da Escola Superior de Enfermagem São João de Deus, Isabel Bico, defendeu uma visão alargada da saúde, ultrapassando a abordagem centrada apenas na doença.
A responsável considerou que estas jornadas representam uma oportunidade para reunir diferentes áreas do conhecimento e promover uma reflexão conjunta sobre fatores sociais, económicos e ambientais que influenciam a saúde das populações.
«O que está em causa é a saúde da pessoa», afirmou, defendendo uma abordagem transdisciplinar que envolva diferentes setores e saberes na construção de soluções.
Isabel Bico sublinhou ainda a importância da prevenção e da promoção da saúde, defendendo que os cidadãos devem assumir um papel ativo na adoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis. A diretora destacou igualmente a necessidade de garantir que o conhecimento produzido pelas instituições de ensino superior tenha impacto direto na comunidade e contribua para melhorar o acesso aos cuidados de saúde.
Ao longo de três dias, as II Jornadas da Saúde da Universidade de Évora vão promover debates sobre saúde mental, literacia em saúde, transição digital, ensino, políticas públicas e o conceito One Health, terminando com iniciativas dirigidas à comunidade em vários locais da cidade de Évora.




























