Portugal e Espanha realizaram um teste pioneiro de comunicações seguras através de tecnologia quântica, estabelecendo a primeira ligação transfronteiriça com distribuição quântica de chaves de encriptação (QKD – Quantum Key Distribution) entre Portalegre e Badajoz, com Elvas a funcionar como nó intermédio estratégico. A informação foi avançada pelo jornal ECO.
A demonstração decorreu ao longo de cerca de 65 quilómetros, recorrendo a infraestrutura de fibra ótica já existente, num ensaio que visa reforçar a cibersegurança e preparar as redes de comunicação para os desafios associados à evolução da computação quântica.
Segundo o ECO, o teste envolveu a Deloitte, o Portuguese Quantum Institute (PQI) e a Warpcom, com o apoio da FCCN e da IPTelecom. A iniciativa integra o projeto Portuguese Quantum Communication Infrastructure (PTQCI), inserido na rede europeia EuroQCI, cofinanciada pela União Europeia.
A tecnologia QKD permite criar e distribuir chaves criptográficas com base nos princípios da física quântica, recorrendo a partículas de luz, como fótons. Qualquer tentativa de interceção altera o estado dessas partículas, possibilitando a deteção imediata de intrusões, ao contrário dos métodos tradicionais de encriptação baseados em algoritmos matemáticos.
Citado pela publicação, Mário Caldeira, responsável pela área de tecnologia quântica da Deloitte, considera que este avanço representa um passo relevante para a proteção de dados críticos no futuro, apontando a combinação entre comunicações seguras e criptografia pós-quântica como essencial para a segurança digital.
A Warpcom destaca o potencial da tecnologia para aumentar a resiliência de setores estratégicos, como a saúde e a administração pública, enquanto o PQI sublinha o impacto do projeto no reforço da soberania digital nacional.
Para o professor Yasser Omar, presidente do instituto, também citado pelo jornal, a ligação entre Portalegre e Badajoz constitui uma prova de conceito importante para a integração de Portugal na futura rede europeia de comunicações quânticas, destinada a proteger infraestruturas críticas e reforçar a segurança das comunicações digitais na União Europeia.
Após esta demonstração, as entidades envolvidas admitem avançar para a aplicação da tecnologia em contextos reais, com o objetivo de criar redes mais robustas face às ameaças digitais emergentes.















