A procura por cursos de Português Língua de Acolhimento (PLA) está a aumentar no Alentejo, acompanhando o crescimento da população imigrante em concelhos como Odemira e Sines, segundo dados divulgados pela agência Lusa.
De acordo com a Lusa, o número de inscrições nestas formações tem vindo a crescer a nível nacional, tendência que encontra reflexo no território alentejano, onde entidades locais reportam maior procura e necessidade de reforço da oferta.
Odemira com centenas de formandos desde 2021
No concelho de Odemira, no distrito de Beja, a cooperativa TAIPA promove cursos de PLA desde 2021, tendo já formado 695 adultos, oriundos sobretudo da Índia, Nepal, Tailândia, Bangladesh, Paquistão e Ucrânia.
“Estes cursos são executados de acordo com os financiamentos obtidos para o efeito”, indicou à Lusa a presidente da instituição, Dora Guerreiro, acrescentando que estão atualmente em curso formações com financiamento assegurado até 2027, no âmbito dos programas Portugal 2030 e Pessoas 2030.
Segundo a responsável, os diplomas de aprovação são emitidos num prazo máximo de um mês, permitindo aos formandos avançar com processos administrativos ligados à regularização da sua situação em Portugal.
Sines regista aumento da procura e tempos de espera
Também em Sines, no litoral alentejano, a procura por cursos de português tem vindo a crescer, refletindo a necessidade de integração da população estrangeira residente no concelho.
Na Escola Secundária Poeta Al Berto, as formações de nível A1 e A2, em funcionamento há cerca de cinco anos, contam atualmente com cerca de 15 alunos, tendo já certificado aproximadamente 60 formandos.
No Sines Tecnopolo, onde os cursos decorrem ao fim de semana, a procura tem-se intensificado, sobretudo nos níveis iniciais. O tempo médio de espera varia entre um a dois meses, período necessário para a constituição de turmas com cerca de 20 participantes.
Desde dezembro de 2024, esta entidade já certificou 62 formandos, que recebem subsídio de alimentação durante a formação.
Crescimento acompanha dinâmica económica da região
O aumento da procura por cursos de português no Alentejo está associado à presença de trabalhadores estrangeiros em setores como a agricultura e a indústria, particularmente no litoral da região.
Segundo dados citados pela Lusa, os cursos de PLA destinam-se a cidadãos maiores de 16 anos cuja língua materna não é o português, permitindo a certificação dos níveis A1, A2, B1 e B2.
A obtenção do nível A2, ou superior, é reconhecida para efeitos de pedido de autorização de residência permanente e de nacionalidade portuguesa, dispensando a realização de prova adicional de língua.
A nível nacional, as inscrições nestes cursos passaram de 22.014 em 2020/2021 para 56.397 em 2025, de acordo com dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), citados pela Lusa.















