A vila de Terena, no concelho de Alandroal, voltou a afirmar-se este domingo como centro de uma das mais antigas manifestações religiosas do país, com a realização da Procissão do Encontro, integrada nas Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Nova.
O momento, considerado um dos pontos centrais da romaria, reuniu milhares de fiéis num percurso marcado pelo encontro das imagens de Nossa Senhora da Boa Nova e de São Pedro, num cenário que cruza devoção, tradição e identidade local.
Uma tradição com séculos de história
A procissão teve início às 18h45, com a saída da imagem de Nossa Senhora da Boa Nova do Santuário, classificado como Monumento Nacional desde 1910. Em simultâneo, partiu da Igreja Matriz a procissão de São Pedro, padroeiro da freguesia.
As duas imagens encontraram-se a meio do percurso, num momento acompanhado por queima de foguetes e pelo Sermão proferido pelo Padre Luís Filipe Fernandes.
De acordo com Nuno Pereira, da Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova, esta celebração «tem muitos séculos de existência e um peso muito grande», acrescentando que existem registos documentais que remontam, pelo menos, ao século XVI. «Recentemente encontrámos um documento de 1580 que já faz referência a uma celebração», afirmou .
Identidade, fé e continuidade ao longo do tempo
Para o responsável da confraria, a romaria não se limita à dimensão religiosa. «Ela não é só uma tradição. Ela é também religiosa, cultural, etnográfica. Está tudo congregado», referiu, sublinhando o seu papel na identidade das populações da região .
Nuno Pereira considera que esta celebração «identifica todos estes povos que estão em torno deste santuário», apontando para a continuidade de práticas culturais que poderão ter raízes anteriores ao próprio culto cristão .
Ao longo dos anos, a romaria tem acompanhado diferentes contextos históricos, mantendo a sua expressão mesmo em períodos de instabilidade. «Já passámos recentemente por uma pandemia e verificámos que o número de peregrinos devotos é maior», referiu, acrescentando que a afluência tende a aumentar em momentos de incerteza .
Milhares de pessoas num momento considerado único
Sem números oficiais, a organização aponta para a presença de milhares de participantes. «São milhares de pessoas. É impossível adiantar um número, mas passa de mil ou dois de certeza absoluta», indicou Nuno Pereira .
O momento do encontro das procissões é descrito como singular. «É uma tradição que não conheço em mais sítio nenhum», afirmou, destacando o simbolismo do cruzamento de percursos em sentidos opostos, num cenário marcado pela paisagem e pelo pôr do sol primaveril .
Organização prolonga-se ao longo de todo o ano
A Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova assume a responsabilidade pela gestão e preservação do Santuário ao longo de todo o ano, não apenas durante o período festivo.
«Isto não é um trabalho que se resume a estes dias», explicou Nuno Pereira, referindo que a instituição assegura o funcionamento do espaço, a receção de visitantes e a manutenção do culto diário .
A chegada da imagem de Nossa Senhora da Boa Nova à Igreja Matriz foi assinalada com uma sessão de fogo de artifício, oferecida pela Câmara Municipal de Alandroal. Antes do final da procissão, realizou-se a Bênção do Santíssimo Sacramento, dirigida à vila, aos campos envolventes e aos peregrinos presentes.
Festa mantém-se como referência regional
As Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Nova decorrem entre 25 e 29 de abril e incluem, além das celebrações religiosas, iniciativas culturais e recreativas.
Segundo Nuno Pereira, o regresso recente de várias atividades ao recinto do Santuário contribuiu para reforçar a participação. «Envolve as pessoas de outra forma. O espaço também é propício e todos saímos a ganhar», afirmou .
A organização destaca ainda o apoio das entidades locais. «Temos grandes parceiros, como a Câmara e a Junta de Freguesia, que têm dado o seu contributo para que a festa possa atingir outras dimensões», concluiu.
Com raízes que remontam ao século XIII, a romaria de Nossa Senhora da Boa Nova mantém-se como uma referência na região, reunindo anualmente milhares de pessoas em torno de uma tradição que atravessa gerações.
















































































































































