O membro do Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses, Clemente Mitra, defendeu este sábado, em Vila Viçosa, a criação de uma carreira para os bombeiros voluntários, considerando que essa é uma das principais necessidades do setor a nível nacional.
As declarações foram feitas ao Jornal ODigital.pt durante a VII edição da Bênção dos Capacetes dos Bombeiros do Distrito de Évora, iniciativa que reuniu corporações, comandos e autarcas do distrito no Santuário de Nossa Senhora da Conceição.
Segundo Clemente Mitra, os bombeiros continuam sem ver reconhecida uma estrutura de carreira, apesar das responsabilidades que assumem diariamente nas operações de proteção e socorro.
«Todos estes bombeiros que aqui estão, ninguém tem carreira», afirmou, acrescentando que muitos operacionais continuam a desempenhar funções com remunerações próximas do salário mínimo nacional.
O dirigente da Liga dos Bombeiros Portugueses sublinhou ainda que a reivindicação já se prolonga há vários anos.
«Nós andamos atrás disto há 20 anos», referiu, mostrando expectativa relativamente à atual equipa do Ministério da Administração Interna.
Incentivos ao voluntariado considerados essenciais
Outro dos temas destacados por Clemente Mitra foi a necessidade de criar incentivos concretos para os bombeiros voluntários, defendendo medidas que possam ajudar a fixar operacionais nas corporações.
O responsável apontou exemplos ligados ao apoio das autarquias, nomeadamente benefícios associados ao IMI, taxas municipais ou outros mecanismos de apoio local.
«Os bombeiros têm de ter alguns incentivos para que motive esses bombeiros para permanecerem e para não abandonarem a nossa família de bombeiros», afirmou.
Clemente Mitra considerou ainda insuficientes algumas medidas atualmente existentes, defendendo que os incentivos devem corresponder às necessidades reais dos operacionais, sobretudo nos territórios do interior.
Autarquias destacadas pelo apoio aos bombeiros
Durante as declarações ao Jornal ODigital.pt, o dirigente destacou também o papel dos municípios no apoio às associações humanitárias de bombeiros.
Segundo afirmou, são as autarquias que estão mais próximas das corporações e das suas necessidades diárias.
«Quem está mais perto dos bombeiros são as autarquias, são as câmaras municipais», referiu.
Clemente Mitra alertou igualmente para a necessidade de reforçar o financiamento das associações humanitárias, defendendo apoio não apenas para equipamentos e veículos, mas também para os encargos de funcionamento das estruturas.
Comando único dos bombeiros “já está a dar os primeiros passos”
O membro do Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses abordou ainda o processo de criação do comando único dos bombeiros, indicando que a estrutura «já está a dar os primeiros passos».
Segundo explicou, a expectativa da Liga passa por ver reforçada a presença de bombeiros na estrutura de comando operacional nacional, defendendo que os bombeiros devem ser coordenados por elementos com experiência direta no setor.















