A vila de Redondo recebeu no dia 3 de outubro as 4.ª Jornadas Técnicas de Viticultura, realizadas no Centro Cultural, no âmbito da Feira de São Francisco. O encontro reuniu produtores, técnicos e entidades ligadas ao setor vitivinícola, promovendo debate sobre a inovação, a sustentabilidade e o futuro da vinha no Alentejo.
O setor enfrenta dificuldades
Nas declarações proferidas, o vice-presidente da CCDR Alentejo, Roberto Grilo, sublinhou que a viticultura atravessa «um ano particularmente exigente, com uma vindima mais curta, preços de venda demasiado baixos e uma tendência mundial de redução do consumo de vinho».
O responsável destacou que, apesar das dificuldades, a viticultura continua a assumir um papel estratégico no desenvolvimento regional. «A vinha é mais do que agricultura: é identidade, paisagem, turismo, gastronomia e economia local», referiu.
Aposta na valorização
Roberto Grilo defendeu que o setor precisa de uma nova abordagem. «Adaptar já não chega — precisamos de valorizar: mais qualidade, mais diferenciação, mais ligação às novas gerações de consumidores», afirmou, apelando a uma maior capacidade de inovação e diferenciação para enfrentar os novos hábitos de consumo.
Para o vice-presidente da CCDR Alentejo, as soluções devem ser pensadas a partir das especificidades do território. «As soluções têm de ser territoriais — com apoios regionalizados e a integração da viticultura em áreas como turismo, cultura, energia e inovação».
Redondo Cidade do Vinho 2025
Nas palavras proferidas, o dirigente fez também referência ao título atribuído à região. «Redondo como Cidade do Vinho 2025 é mais do que um reconhecimento, é uma plataforma de futuro para produtores, consumidores e para todo o Alentejo».
Roberto Grilo concluiu reforçando a resiliência do setor: «Mesmo em tempos de vindimas curtas, preços baixos e consumo em queda, o Alentejo afirma-se pela qualidade do seu vinho e pela força das suas comunidades».
Jornadas de debate e inovação
As Jornadas Técnicas de Viticultura contaram com painéis sobre o balanço fitossanitário da campanha, digitalização na vinha, gestão de rega, tecnologias inovadoras de avaliação nutricional e o projeto «Cidade do Vinho 2025 – Vinhos da Serra d’Ossa».
O encontro terminou com um debate entre produtores e especialistas, sublinhando a importância da partilha de conhecimento e da articulação entre ciência, inovação e prática agrícola para reforçar a competitividade do setor.















