O Centro de Respostas Integradas (CRI) do Alentejo Central, através do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), assinou um protocolo com a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) que prevê a criação de uma unidade móvel destinada a reforçar a intervenção no território.
Segundo o coordenador do CRI do Alentejo Central, Paulo Jesus, o acordo tem como objetivo central «a existência de uma unidade móvel», considerada uma resposta há muito reivindicada pela estrutura, tendo em conta as características do território alentejano .
Resposta a um território extenso e disperso
Paulo Jesus sublinha que o Alentejo apresenta especificidades que dificultam o acesso aos cuidados, referindo tratar-se de «um território extenso, demograficamente oprimido, mas muito extenso, onde muitas das vezes as problemáticas não têm a visibilidade que deveriam ter» .
Nesse contexto, o responsável destaca que a estratégia do CRI tem passado por uma lógica de proximidade, procurando «criar mecanismos que nos leva aos doentes e que facilmente traz os doentes às nossas respostas» .
A nova unidade móvel surge, assim, como um reforço dessa abordagem, permitindo uma maior capacidade de intervenção em diferentes contextos e ciclos de vida, numa articulação com a ULSAC que Paulo Jesus descreve como célere, referindo que «no espaço de duas ou três semanas nós conseguimos ter o acordo e o protocolo aprovado» .
Intervenção junto de populações vulneráveis
A unidade móvel deverá permitir alargar a intervenção a populações em situação de maior vulnerabilidade, incluindo pessoas em situação de sem-abrigo, migrantes e idosos em zonas rurais.
O coordenador do CRI refere que existem «territórios mesmo do ponto de vista geográfico, de difícil acesso» e situações que exigem resposta no terreno, acrescentando que a nova valência «vai permitir chegar a todos os contextos e territórios e ciclos de vida que não nos chegam a nós» .
Entre os problemas identificados estão comportamentos aditivos sem substância, como o jogo, o uso excessivo de medicação ou a dependência de ecrãs, associados, em alguns casos, a situações de isolamento social.
Entrada em funcionamento imediata
A unidade móvel foi entregue recentemente e deverá entrar em funcionamento de forma faseada, com intervenções previstas já a partir do mês de maio.
Paulo Jesus indica que o veículo «já hoje vai começar a ser utilizado», integrando intervenções em contextos festivos e ações regulares junto de populações sinalizadas, incluindo saídas mensais para contacto com pessoas em situação de sem-abrigo .
O responsável considera que este novo recurso representa um desafio organizacional, sublinhando a necessidade de criar dinâmicas que potenciem a sua utilização, com o objetivo de garantir maior proximidade e cobertura territorial na resposta aos comportamentos aditivos.
















