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António Candeias quer uma Universidade de Évora “mais próxima, mais aberta e mais exigente”

A tomada de posse de António Candeias como reitor da Universidade de Évora marcou esta segunda-feira o arranque de um novo ciclo na academia alentejana. Perante uma Sala dos Actos do Colégio do Espírito Santo preenchida por docentes, investigadores, trabalhadores, estudantes e representantes institucionais, o novo responsável máximo da Universidade apresentou uma visão centrada na confiança, na participação e na ligação entre a academia e o território.

Nas palavras proferidas, António Candeias procurou posicionar a Universidade de Évora como uma instituição pública com responsabilidade social e intervenção ativa na região e no país. «A Universidade deve ser parte ativa desse futuro. Não como observadora, mas como participante ativa», afirmou, defendendo uma academia capaz de transferir conhecimento para a sociedade e responder aos desafios do território.

Ao longo da intervenção, o novo reitor repetiu uma ideia de serviço público universitário, insistindo que liderar a instituição implica escutar a comunidade académica e reforçar o papel da universidade pública. «Governar uma universidade é, antes de tudo, escutá-la. Ouvir a todas e a todos para, depois, tomar as decisões certas», declarou logo no início da cerimónia.

“Servir será uma das palavras centrais deste mandato”

Num discurso marcado por referências à memória da instituição, à ética académica e à necessidade de mudança, António Candeias sublinhou que o novo mandato pretende recentrar a Universidade nas pessoas e reduzir o peso burocrático que afeta docentes, investigadores e trabalhadores.

«Servir será uma das palavras centrais deste mandato. Servir os estudantes. Servir os docentes e investigadores. Servir os trabalhadores técnicos, administrativos e de gestão. Servir Évora. Servir o Alentejo e servir Portugal», afirmou.

A preocupação com a simplificação administrativa e com a valorização do trabalho académico surgiu de forma transversal no discurso. Dirigindo-se aos docentes e investigadores, reconheceu a pressão sentida nas universidades portuguesas: «Sei que muitas vezes trabalham sob pressão, com excesso de burocracia, recursos limitados, múltiplas exigências e com pouco tempo para o essencial.»

A resposta, disse, passa por devolver centralidade ao ensino, à investigação e à inovação. «O nosso compromisso é simples: criar condições para que o essencial volte a ser central.»

Uma universidade ligada ao Alentejo

A ligação entre a Universidade de Évora e o Alentejo foi um dos eixos mais presentes na intervenção do novo reitor. António Candeias rejeitou a ideia de periferia associada ao território e defendeu a região como espaço estratégico para investigação e desenvolvimento.

«O Alentejo não é uma periferia. É um território de futuro», afirmou, apontando áreas como água, energia, alimentação, biodiversidade, património e sustentabilidade como temas centrais para a produção científica e para o posicionamento internacional da Universidade.

O novo reitor defendeu também uma maior presença da academia junto das comunidades e das instituições locais. «A Universidade tem de estar mais presente, mais disponível, mais próxima e mais comprometida», afirmou.

Nesse contexto, lançou um desafio direto aos municípios e às entidades regionais para reforçarem a cooperação institucional em torno da Universidade de Évora enquanto “cidade-campus”. «Sejam parte ativa neste projeto de transformação que pretende afirmar a Universidade e a Região», apelou.

Internacionalização e identidade

Embora tenha defendido uma maior projeção internacional da Universidade, António Candeias insistiu que esse crescimento não pode significar perda de identidade institucional.

«Queremos uma Universidade de Évora que saiba estar no mundo sem perder a sua identidade», afirmou, defendendo uma estratégia de internacionalização baseada na atração de estudantes, investigadores e redes de cooperação científica.

Para o novo reitor, internacionalizar não se resume à mobilidade académica. «Internacionalizar não é apenas enviar e receber pessoas. É transformar a cultura institucional», sustentou.

Críticas ao subfinanciamento do ensino superior

O discurso incluiu também referências diretas às políticas públicas para o ensino superior. Perante representantes governativos e institucionais presentes na cerimónia, António Candeias alertou para o impacto do subfinanciamento nas universidades públicas.

«As universidades têm sido chamadas a responder a exigências crescentes, mas os meios disponíveis nem sempre acompanham, de forma estável e suficiente, essa ambição coletiva», afirmou.

O novo reitor pediu que a ciência, o ensino superior e a inovação sejam tratados como prioridades nacionais permanentes. «Defender estes pilares é defender a soberania científica do país, a qualidade da democracia e a capacidade de Portugal responder aos desafios do século XXI», declarou.

“Hoje começa um novo ciclo”

Nos momentos finais da intervenção, António Candeias procurou mobilizar a comunidade académica para uma lógica de participação coletiva, defendendo que a transformação da Universidade depende do envolvimento de todos.

«O futuro que hoje queremos não será construído por um Reitor. Será construído por uma comunidade que decide acreditar em si própria», afirmou.

E concluiu com uma mensagem centrada na confiança institucional e na ideia de pertença coletiva: «Hoje começa um novo ciclo. E quero que esse ciclo seja marcado por confiança.»

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