O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, defendeu em Arronches a centralidade da agricultura na economia regional e apelou à simplificação dos instrumentos de financiamento europeu, durante o 2.º Festival Saberes e Sabores do Porco Alentejano.
Nas palavras proferidas, o responsável destacou o peso do setor primário na economia nacional, referindo que «a agricultura e a região Alentejo representa entre 4,2% a 5% do Produto Interno Bruto português» .
Agricultura como base da economia regional
Ricardo Pinheiro identificou a agricultura como um dos principais pilares do Alentejo, a par da floresta, da agroindústria, do turismo e da extração mineira. Ainda assim, sublinhou que o setor primário assume um papel determinante na criação de valor no território.
O presidente da CCDR Alentejo considerou que a valorização dos produtos agrícolas, como o porco alentejano, deve ser enquadrada numa estratégia mais ampla de desenvolvimento regional, capaz de traduzir o impacto económico na vida das populações.
Apelo à simplificação dos fundos europeus
Um dos principais eixos da intervenção centrou-se na necessidade de tornar mais acessível a utilização dos fundos comunitários. «É necessário um exercício de simplificação em relação à forma como os fundos comunitários devem ser executados», afirmou .
Ricardo Pinheiro defendeu que a aplicação das verbas europeias deve responder de forma direta às necessidades do território, afastando constrangimentos administrativos e «dogmas» que limitam o apoio a atividades que geram valor económico.
Nesse sentido, apelou a uma posição mais assertiva junto das instituições europeias, afirmando que o Alentejo deve «dar um sinal à Comissão Europeia» sobre a necessidade de maior flexibilidade na utilização dos fundos .
Agricultura e energia no centro da transição
O responsável associou ainda o setor agrícola aos desafios da transição energética e da soberania europeia, defendendo que a agricultura pode desempenhar um papel relevante nesse processo.
«Se há um sector que contribui para os grandes desafios da transição energética é a agricultura», afirmou, apontando para a importância de integrar a produção agrícola em estratégias como o bioetanol e a descarbonização .
Criação de valor e inovação no território
Ricardo Pinheiro defendeu a necessidade de introduzir inovação em setores considerados tradicionais, referindo a agricultura biológica e o mercado voluntário de carbono como oportunidades de criação de valor.
O presidente da CCDR Alentejo considerou que estas abordagens podem contribuir para reforçar a sustentabilidade económica e ambiental da região, defendendo a inclusão da agricultura biológica como beneficiária desses instrumentos.
Mensagem de valorização do território
Na conclusão, Ricardo Pinheiro destacou a importância da ação local e da visão estratégica para o futuro do território, deixando uma mensagem de valorização do Alentejo.
«Estamos a plantar para que Arronches e o Alentejo possam ser um território mais fértil do que aquilo que tivemos até hoje», afirmou .
O responsável sublinhou que o desenvolvimento regional depende da articulação entre políticas públicas, agentes locais e valorização dos recursos endógenos, com a agricultura no centro dessa estratégia.















