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Mourão: João Fortes defende discriminação positiva para o interior na abertura do Congresso das Migas (c/fotos)

Congresso das Migas arrancou em Mourão com destaque para a gastronomia, identidade local e apelos à coesão territorial.

O Polidesportivo Municipal de Mourão voltou esta sexta-feira a transformar-se no centro da gastronomia alentejana com o arranque de mais uma edição do Congresso das Migas, certame que reúne restauração, associações, animação cultural e dezenas de expositores ligados à economia local.

Na sessão inaugural, marcada pela presença de várias entidades locais e regionais, o presidente da Câmara Municipal de Mourão, João Fortes, aproveitou a abertura do evento para deixar uma mensagem centrada na coesão territorial e nos desafios que o interior enfrenta, defendendo medidas diferenciadoras para combater o despovoamento e a pobreza na região.

O autarca, em declarações ao Jornal ODigital.pt afirmou que os indicadores sociais do território «não são bons» e considerou que o Alentejo necessita de políticas fiscais mais agressivas para atrair população e investimento. «Tem que haver um verdadeiro choque distintivo a nível fiscal, para que as pessoas optem por viver aqui e aqui residir», afirmou, defendendo mecanismos de discriminação positiva para inverter «a onda do envelhecimento e da falta de densidade populacional».

Nas palavras proferidas, João Fortes procurou também contextualizar o Congresso das Migas como um evento que ultrapassa a dimensão gastronómica, assumindo-se como um espaço de afirmação cultural e económica do concelho.

Um certame que cresceu em torno da gastronomia

A poucos metros das tasquinhas e dos espaços de degustação, o cheiro das migas voltava a dominar o recinto enquanto visitantes percorriam os pavilhões onde se concentram produtores, associações e agentes locais.

Segundo João Fortes, a reorganização do evento em torno da gastronomia foi uma das decisões que mais contribuiu para o crescimento do certame. «A grande reinvenção foi quando tomámos a decisão de tornar o chapéu orientador do certame mais vocacionado para a parte gastronómica», referiu.

O presidente da autarquia destacou ainda a importância do pão enquanto elemento identitário da região e explicou que o objetivo passa por transformar as migas num fator de atração turística. «Levar este recurso endógeno que é o pão pelos quatro cantos de Portugal e fazer com que seja um fator atrativo para que possam vir a Mourão provar as nossas famosas migas», afirmou.

Atualmente, o certame reúne mais interessados em participar do que a capacidade disponível para acolher expositores e restaurantes, realidade que João Fortes considera demonstrativa da consolidação do evento. Este ano participam seis restaurantes do concelho no concurso gastronómico.

Gastronomia como veículo de afirmação do território

Entre o movimento dos visitantes, os reencontros entre moradores e a animação cultural espalhada pelo recinto, o Congresso das Migas continua também a funcionar como ponto de encontro da comunidade local.

João Fortes considera que o certame permite reforçar o sentimento de pertença e promover a identidade cultural de Mourão. «O estimular de relações numa veia de capilaridade parece-me muito importante e estimula também este sentido de ser mouranense, o sentido de ter uma identidade própria», declarou.

O autarca defendeu ainda que a valorização do património gastronómico pode funcionar como elemento diferenciador face a outros territórios do país. «Esta via da divulgação do nosso património cultural é um veículo essencial para nos conseguirmos diferenciar de outras regiões», sublinhou.

Feira de Maio mantém-se ligada ao evento

A componente tradicional da Feira de Maio continua igualmente integrada no Congresso das Migas, embora adaptada ao novo conceito criado pelo município.

João Fortes reconheceu que o objetivo passou por recuperar uma iniciativa que estava a perder expressão. «Mantemos alguns dos traços, principalmente ao nível da animação sociocultural e dos expositores, mas com uma recriação muito ligada ao património gastronómico», explicou.

O presidente da Câmara de Mourão admitiu que a mudança inicialmente não foi facilmente compreendida pela população, mas considera que o modelo está atualmente consolidado. «Agora está consolidado e não olhar para trás», concluiu.

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