O Paço Ducal de Vila Viçosa recebeu, esta sexta-feira, o lançamento do projeto “A Falcoaria na Rota dos Museus”, uma iniciativa nacional que pretende aproximar a prática da falcoaria dos museus portugueses através da valorização de peças relacionadas com esta arte ancestral.
Promovido pela Falcoaria Real de Salvaterra de Magos, o projeto surge no âmbito das comemorações dos 10 anos da inscrição da falcoaria portuguesa na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO e envolve, numa primeira fase, oito instituições culturais nacionais, entre as quais o Museu-Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança, em Vila Viçosa, e o Museu Berardo, em Estremoz.
A iniciativa passa pela identificação de peças relacionadas com a falcoaria existentes nos acervos dos museus participantes, permitindo reforçar a divulgação deste património e promover simultaneamente a visita à Falcoaria Real de Salvaterra de Magos.
Durante a sessão de apresentação, em declarações ao jornal ODigital.pt, a diretora do Museu-Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança, Ana Saraiva, destacou a ligação entre o património preservado nos museus e uma prática que continua viva nos dias de hoje.
“Celebramos o 10.º aniversário da Falcoaria como Património Cultural Imaterial da UNESCO. Foi das primeiras manifestações portuguesas a integrar esta lista”, afirmou.
A responsável sublinhou que a falcoaria possui uma característica diferenciadora no contexto do património cultural português.
“Além de ser uma técnica de caça ancestral, é a única manifestação em Portugal que está dentro daquilo que são os conhecimentos das práticas da Natureza. No fundo, é uma prática ecológica e de relação com o ambiente”, referiu.
Património material e património imaterial unidos na mesma iniciativa
Para Ana Saraiva, a criação da rota permite aproximar duas dimensões complementares da herança cultural portuguesa.
“O museu é uma prática de memória. Assim, o património imaterial tem também a sua dimensão material. Juntamos aqui o melhor das duas coisas”, afirmou.
Segundo a diretora do Museu-Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança, o projeto contribui para assegurar a continuidade da prática da falcoaria, ao mesmo tempo que preserva a memória associada a esta tradição para as gerações futuras.
Também o presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança, João Azevedo, destacou a importância da cooperação entre instituições culturais.
“Embora sejamos uma instituição privada, temos um ADN de serviço público. É uma obrigação nossa estar permanentemente em contacto com todas as instituições do campo da cultura”, afirmou.
Projeto pretende reforçar divulgação da falcoaria
A presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Helena Neves, explicou que a rota foi concebida como uma das principais iniciativas das comemorações dos 10 anos da classificação atribuída pela UNESCO.
“É uma forma de atrair mais visitantes à nossa falcoaria e dar a conhecer esta arte que consideramos ser ímpar”, afirmou.
A autarca explicou que o projeto assenta numa lógica de cooperação entre a Falcoaria Real e os museus participantes.
“No fundo, estamos a usar espaços que têm um espólio dedicado à falcoaria para fazer um convite a quem nos possa visitar. Depois teremos também a reciprocidade de fazer o convite para visitar os museus”, referiu.
Numa segunda fase, a exposição permanente “Falcoaria no Mundo”, patente na Falcoaria Real de Salvaterra de Magos, deverá integrar uma nova área dedicada ao património relacionado com a falcoaria existente nos vários museus e palácios que aderiram ao projeto.
Uma prática ancestral que continua presente na atualidade
Durante a apresentação foi ainda destacada a atualidade da falcoaria, cuja utilização ultrapassa hoje o contexto histórico associado à caça.
Helena Neves recordou que as aves de presa continuam a ser utilizadas em diferentes áreas, nomeadamente no controlo de aves em aeroportos e na proteção de património através do controlo de populações de pombos.
Já o presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, destacou a presença de falcoeiros no concelho e lembrou que a atividade cinegética desempenha também funções de gestão e equilíbrio dos ecossistemas.
Além do Museu-Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança e do Museu Berardo de Estremoz, integram esta primeira fase da rota o Museu Arqueológico do Carmo, o Palácio Nacional de Queluz, a Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva, a Fundação Oriente, o Mosteiro de Odivelas e o Museu Nacional dos Coches.











































