Em muitas zonas do Alentejo, a presença de turistas está diretamente ligada à existência de adegas e à produção de vinho. A ideia foi defendida por José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, à margem da 3.ª GWTO-OMET Global Summit on Responsible Enotourism, que decorre em Beja.
Para o responsável, o enoturismo assume um papel determinante na estratégia de desenvolvimento turístico da região, funcionando como elemento agregador de diferentes recursos e experiências presentes no território.
“Esta cimeira é uma peça numa estratégia regional mais ampla que nós temos para valorizar o enoturismo, que identificámos como produto turístico estratégico da região”, afirmou.
Segundo José Santos, o enoturismo reúne diferentes componentes da identidade alentejana, desde a cultura à gastronomia, passando pela sustentabilidade, arte contemporânea, música e educação.
“O enoturismo é um agregador. Nós, no Alentejo, temos sustentabilidade, temos cultura, temos arte contemporânea, temos música, temos educação, temos, claro, gastronomia”, referiu.
O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo considera que o vinho tem desempenhado um papel importante na projeção externa da região e na captação de visitantes para territórios do interior.
“Em muitas partes do Alentejo nós temos turistas porque temos adegas, porque temos vinho. De outra forma não conseguiríamos ter turistas australianos, mexicanos e de outros mercados internacionais”, afirmou.
Na sua perspetiva, a notoriedade conquistada pelos vinhos alentejanos ao longo dos anos tem contribuído para abrir portas ao turismo e para aumentar a visibilidade da região em vários mercados.
“A qualidade do vinho tem posicionado muito o Alentejo em muitos mercados internacionais. Aliás, tem aberto portas ao turismo em muitos contextos geográficos”, sublinhou.
Estratégia para mais território e mais meses do ano
José Santos defende que o enoturismo permite distribuir melhor os fluxos turísticos ao longo do ano e por diferentes zonas da região, contribuindo para reforçar a competitividade do território.
“Para esta ideia estratégica que nós temos de termos mais turismo e mais meses do ano em mais território, o enoturismo é absolutamente estratégico”, afirmou.
O responsável considera ainda que a realização da cimeira mundial de enoturismo se enquadra nessa visão de longo prazo para o desenvolvimento da região.
“Esta cimeira é uma peça importante desse programa estratégico”, referiu, destacando também o papel do evento na aproximação entre empresários, investigadores, autarcas e restantes agentes ligados ao setor.
Turismo como instrumento de desenvolvimento
Ao abordar os desafios futuros da região, José Santos defendeu que o crescimento do turismo deve traduzir-se em benefícios concretos para as comunidades locais.
“Para nós, é uma forma de tornar o Alentejo mais coeso e mais competitivo”, afirmou.
O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo concluiu defendendo que a atividade turística só faz sentido quando contribui para o desenvolvimento económico dos territórios.
“O turismo só faz sentido se for um instrumento de desenvolvimento económico local e regional. Senão, não serve. Não servirá de muito ao Alentejo”, concluiu.
A GWTO-OMET Global Summit on Responsible Enotourism decorre até quarta-feira em Beja, reunindo especialistas, académicos, produtores de vinho, operadores turísticos e investidores ligados ao setor do enoturismo. A iniciativa integra a programação da Capital Europeia do Vinho 2026, atribuída ao Baixo Alentejo.
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