A bienal cultural “Monsaraz Museu Aberto” vai realizar-se na freguesia alentejana entre os dias 14 e 21 de julho e apresenta-se como um «grito de alerta» contra a interioridade.
A expressão é do vereador da Cultura da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, António Fialho, que sublinhou ainda, a’ODigital, que este «grito» se pretende mostrar em dois eixos.
«Aquilo que que queremos é que ele tenha muita qualidade e que cruze a nossa cultura com uma outra cultura à qual nós não temos muito acesso a que gostaríamos de ter mais», afirmou o vereador, acrescentando que «é uma cultura que no interior do país se tem dificuldade em ter».
Um festival que se «transforma» em um «grito de alerta» para a situação da «interioridade» e da «desertificação»: «Queremos que ele funcione assim».
Detalhou que a freguesia tinha, em 1940, cerca de 2 900 habitantes e que hoje, segundo o Censos 2021, tem 698, principalmente «no escalão etário de mais de 64 anos»: «Temos aqui um problema de desertificação complexo».
«Temos de agarrar a nossa vida com as nossas mãos e temos de lutar contra isto, porque é o nosso principal problema. Não havendo pessoas, não há hospitais. Se não houver pessoas, não há escolas. Não havendo pessoas, não há sítios para comprarmos as coisas», destacou António Fialho.
O segundo alerta consta nos «ataques à nossa paisagem com as culturas intensivas», onde os «problemas da sustentabilidade, com a arte, arquiteturas e com o aproveitamento turístico não olham a meios para conseguir fins».
«Vamos ter um recital de piano no Olival da Pêgo, que é constituído por oliveiras milenares que de quando em quando são arrancadas para ser vendidas por milhares de euros», vincou o vereador, sublinhando ainda que «é um crime ambiental».
Disse ainda que o concerto pretende «alertar que o olival precisa de ser protegido e respeitado e de que as árvores precisem de ser mantidas no local onde estão.
Referiu ainda que é um festival que quer «promover a cultura e a identidade do povo alentejano» que são «todos os dias muitíssimo atacadas e colocadas em causa».
«Temos de nos unir e defender para preservarmos aquilo que é o nosso património maior, que são a nossa identidade, a nossa alma e a nossa cultura», concluiu.
Um programa «diversificado» com o tema “Terra”, albergando duas componentes «fortíssimas», a Cultura e o Ambiente.
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