Pedro Brito, atleta natural de Évora e uma das principais referências do footgolf em Portugal, traçou o seu percurso na modalidade, analisou o estado do desporto no país e comentou a ausência na pré-convocatória para o Campeonato do Mundo, numa entrevista ao podcast «Factos e Conversas» do Jornal ODigital.
Com vários títulos nacionais e presença em competições internacionais, o jogador destacou o papel da dedicação e da componente mental na evolução desportiva, ao mesmo tempo que apontou limitações estruturais da modalidade em Portugal.
Do futebol ao footgolf
Pedro Brito iniciou-se no footgolf em 2018, após terminar a carreira no futebol. A entrada na modalidade surgiu de forma ocasional, numa experiência em Palmela, motivada pela necessidade de manter a vertente competitiva.
«Quando decidi terminar a carreira de futebolista, faltava-me algo», explicou, acrescentando que a descoberta da modalidade surgiu por indicação de conhecidos.
Desde então, o atleta construiu um percurso marcado por títulos nacionais e presença em provas internacionais, afirmando-se como um dos nomes mais consistentes do circuito português .
Treino condicionado pela ausência de infraestruturas
A preparação do atleta é condicionada pela inexistência de campos de footgolf no Alentejo. O campo mais próximo situa-se em Samora Correia, a cerca de 100 quilómetros.
Perante esta limitação, Pedro Brito recorre a soluções alternativas na cidade de Évora, utilizando espaços verdes e campos de futebol para treinar.
O atleta considera que esta realidade representa um entrave ao desenvolvimento da modalidade na região e deixa um desafio aos municípios para a criação de infraestruturas.
Componente mental como fator decisivo
Na análise ao desempenho desportivo, Pedro Brito destaca a importância da componente mental, que considera determinante na modalidade.
«O aspeto mental é fundamental», referiu, apontando a gestão da frustração como um dos principais desafios para os atletas.
O jogador defende que a capacidade de lidar com o erro e recuperar durante a competição é um dos fatores que diferenciam o rendimento dos atletas.
Críticas à não convocatória para o Mundial
Um dos momentos centrais da entrevista foi a reação à ausência na pré-convocatória para o Campeonato do Mundo.
Pedro Brito classificou a decisão como injusta, defendendo que a seleção deve integrar os atletas com melhor desempenho desportivo.
«Se estamos numa competição e o país tem intenção de competir com os melhores, tem que levar os melhores», afirmou.
O atleta sublinhou ainda que a meritocracia deve prevalecer nas escolhas, considerando que fatores não desportivos não devem interferir na convocatória.
Polémica no Campeonato do Mundo de 2023
Pedro Brito abordou também um episódio ocorrido no Mundial de 2023, nos Estados Unidos, onde foi acusado de não respeitar as orientações da equipa nacional.
O jogador explicou que a decisão de utilizar um equipamento diferente esteve relacionada com questões pessoais e de superstição, rejeitando qualquer intenção de desrespeito.
Nesse campeonato, terminou na 17.ª posição, após recuperar várias posições no último dia de competição .
Modalidade precisa de maior divulgação
Sobre o estado do footgolf em Portugal, Pedro Brito considera que a modalidade necessita de maior divulgação e reconhecimento institucional.
O atleta defende a integração no desporto escolar e o reconhecimento como entidade de utilidade pública, apontando estes fatores como essenciais para o crescimento.
«A modalidade precisa de divulgação», afirmou, acrescentando que o número de praticantes tem vindo a diminuir.
Reconhecimento no plano da ética desportiva
Pedro Brito foi convidado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude para integrar o Plano Nacional de Ética no Desporto como embaixador.
O atleta considera este reconhecimento como um sinal de validação do seu percurso, embora sublinhe que gostaria de ver primeiro a modalidade reconhecida institucionalmente.
Objetivos passam pela continuidade dos títulos
Para o futuro, Pedro Brito aponta como principal objetivo a revalidação do título de campeão nacional e a participação em competições internacionais.
O atleta admite que o caminho para o topo mundial é exigente, mas mantém a ambição de alcançar o primeiro lugar.
«Na minha cabeça só existe um e é o número um», afirmou.
















