Em mais uma jornada do Campeonato de Portugal, o Lusitano recebeu o Moura AC no Campo Estrela este domingo. Convenceu e venceu por 5×0, numa partida de clara “dependência” da primeira parte
A partida começou com um Moura muito atrevido, com a lição bem estudada. Com os três avançados (António Maior, Guilherme Flor e Diogo Marques) rápidos e bem estruturados, foi só encontrar espaços nas costas da defesa.
Cassiano e Tiago Palancha, centrais do Lusitano, ainda assim, conseguiram tirar muitas vezes o perigo da baliza à guarda de Marcelo Valverde. Certo que muitas vezes ‘in extremis’.
Culpados disto? Os meiocampistas lusitanistas. Não iam conseguindo, nos primeiros minutos, conter muitos dos intentos mourenses. Problemas para a defesa, que muito foi solicitada na partida… Até no ataque.
Porta-aviões ao fundo
Mesmo que só tenha comentado os ataques do Moura, o Lusitano também não baixou a guarda. Contudo, o “porta-aviões” da formação visitante esteve muito bem montado até que começou a desmoronar, logo aos 11 minutos.
Numa tentativa de começar a jogar a partir da defesa, o Lusitano, que até começou a jogada com calma, João Pinto, lateral do conjunto eborense, surge sozinho na esquerda e, de primeira, cruzou para Dida apenas e só encostar de cabeça.
Tento que começou a foi um verdadeiro “tiro no porta-aviões” e que depressa afundou. Foi metida muita água. O Moura não conseguiu esconder a desconcentração e, talvez, a falta de experiência.
Aos 23 minutos, outro “tiro”. Fruta da referida falta de concentração, o mesmo lateral bateu um canto na direita e o guardião mourense Fábio Reis deixou-a passar. Golo olímpico no Campo Estrela.
Da Fome para a Fartura
2×0 que trouxe o 3×0. Certo que parece muito apressado, mas foi o que aconteceu. Costuma-se dizer que não há fome que não dê em fartura e foi mesmo assim que aconteceu.
Um princípio que adivinharia um jogo mais equilibrado, mas à passagem dos 35 minutos, já havia 4×0. Cheirava a goleada das antigas, daquelas cheias de golos. É de destacar que, mesmo que com 30 graus, a partida ficou tão eletrizante que até aos 40 minutos não houve pausa para refrescar.
Estes últimos dois golos marcados, mais uma vez por Dida e Tiago Baptista. O Moura precisava de descanso, criatividade, vontade, uma estrela, algo novo. Literalmente qualquer coisa que desse alento ao emblema do Baixo Alentejo.
Do lado do Lusitano, já com o jogo controlado, há que sublinhar as alas. João Pinto foi, nesta primeira parte, um verdadeiro comboio pela esquerda, já Sele Davou um incrível desequilibrador na direita. Que primeira parte desta equipa.
Primeiro a tempestade, depois a calmaria
Depois da primeira parte cheia de golos, a segunda parte estaria dependente do que os balneários ouviriam. Ou ambas as equipas procurariam mais golos (ou o primeiro), ou seria uma calmaria.
O que é certo é que o último ponto prevaleceu. O Lusitano teria apenas de controlar a vantagem de quatro golos que tinha. O Moura apenas jogou no pouco espaço que a equipa de Évora ia permitindo.
Aliás, o desequilibrador Sele Davou saiu logo perto dos 50 minutos. Sinal claro da ideia de Pedro Russiano. Acalmar a partida e dar mais estrutura ao ataque, com a entrada de Martim Águas para esse lugar.
Nada estava certo. Nem os “Freed from Desire”, música de festejo do Lusitano, nem mesmo a falta de música. Ainda assim, tocou mais uma vez numa verdadeira confusão aos 61 minutos.
O “pensador” Martim ganhou uma bola na esquerda do ataque e cruzou para o coração da área. O guardião Fábio Reis saiu mal e não conseguiu agarrar a bola, facto que Dida aproveitou. A incógnita é se foi auto-golo, ou mais um tento de Dida. A verdade é que parece ter sido a infelicidade de Diogo Marques.
Só falta o apito
Com tamanha diferença, pouco havia a fazer do lado do Moura. Mesmo que nunca tenham baixado os braços, os jogadores não teriam a mesma cabeça que com apenas um golo sofrido.
Foi visível o desalento a partir do quinto. Os quatro defensores não quebravam mais estrutura. O meio-campo mais contido que atrevido. Os avançados, mesmo que mais irrequietos, não passava de “fogo de vista”.
Teve um começo de temporada promissor, com uma vitória na primeira jornada, mas nas duas partidas seguintes, sofreram nove golos. Dado que não é nada animador para os adeptos mourenses.
Do outro lado da moeda, o Lusitano ainda não provou o sabor da derrota, nem o da sofrer um golo. Baliza imaculada e já sete pontos somados em três jornadas, a equipa eborense começa a perfilar-se como claro candidato aos primeiros lugares.
Voltando ao jogo, só faltava mesmo o apito final.















