O Chega requereu a audição no parlamento do ministro da Defesa, autarcas e outros responsáveis sobre a transferência do Campo de Tiro da Força Aérea de Alcochete para Alter do Chão, no distrito de Portalegre.
Através de um requerimento dirigido ao presidente da Comissão de Defesa Nacional, os deputados do Chega Pedro Pinto, Nuno Simões de Melo, Bernardo Pessanha, Sandra Ribeiro e Raul Melo solicitam a realização destas audições durante o mês de junho.
No documento, consultado pela agência Lusa no ‘site’ da Assembleia da República, os parlamentares sublinham que a transferência “constitui uma decisão de inegável relevância estratégica”, ligada à construção do novo Aeroporto de Lisboa.
“Não obstante o reconhecimento da importância desta operação para a Defesa Nacional e para o desenvolvimento do sistema aeroportuário do país, a nova localização suscita um conjunto de implicações territoriais, ambientais, agrícolas e socioeconómicas cuja dimensão exige um escrutínio parlamentar cuidado e plural”, salientam.
Lembrando que os estudos relacionados com a transferência “deverão estar concluídos no primeiro semestre de 2026”, o Chega considera que junho “constitui o momento adequado para a realização das audições requeridas, permitindo um debate parlamentar informado e tecnicamente sustentado”.
Segundo os deputados do Chega, a futura infraestrutura ocupará uma área aproximada de 7.500 hectares, que corresponde “a cerca de um quinto do território do concelho de Alter do Chão, com efeitos que se estendem aos concelhos limítrofes”.
“Acresce que existem legítimas preocupações manifestadas pelas populações locais, por autarcas, por organizações representativas do setor agrícola e por movimentos cívicos”, frisaram os parlamentares.
As preocupações, acrescentam, estão relacionadas com o impacto ambiental, compatibilização com a Barragem do Pisão, proteção de espécies abrangidas pela Diretiva Aves e pela Rede Natura 2000 e coexistência com a atividade equestre e agrícola da região.
O Chega quer audições com o ministro da Defesa Nacional, o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e os autarcas de Alter do Chão, Fronteira, Monforte, Portalegre, Ponte de Sor e Crato.
Entre os responsáveis que o Chega requer audição, estão ainda o presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre e Joana Vasconcelos, primeira subscritora da petição “Alter do Chão, Não ao Campo de Tiro”.
O PS também já apresentou um requerimento para a audição urgente no parlamento de várias entidades governamentais e locais sobre a mudança, alegando a “ausência de respostas” do Governo.
E um grupo de agricultores lançou uma petição pública contra a transferência, alertando para os possíveis danos ambientais e económicos da infraestrutura.
Em 11 de março, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou a escolha de Alter do Chão para acolher o Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP), instalado em Alcochete.
Quando anunciou a nova localização, o governante salientou que a escolha da nova localização “é um passo fundamental para que se proceda à desmilitarização dos terrenos” onde vai ‘nascer’ o novo aeroporto Luís de Camões, na região de Lisboa.
Na altura, não foi detalhado o local exato do campo de tiro no concelho de Alter do Chão, mas, segundo o ministro, a valência terá uma dimensão de cerca de 7.500 hectares.















