O primeiro Comboio Literário partiu este fim de semana de Lisboa rumo ao Alentejo, levando escritores, leitores, editores e amantes dos livros até Évora e Vila Viçosa, numa iniciativa que juntou literatura, território e memória ferroviária. Promovida pela LeYa, em parceria com a CP – Comboios de Portugal e com os municípios envolvidos, a viagem esgotou poucas horas após a abertura das inscrições.
A bordo das carruagens históricas seguiram cerca de 170 participantes, entre autores e leitores, numa experiência que incluiu sessões de autógrafos, tertúlias, concertos e encontros culturais ao longo do percurso ferroviário entre Lisboa, Évora e Vila Viçosa.
A viagem integrou a programação da Feira do Livro de Évora e terminou em Vila Viçosa, vila onde o simbolismo ferroviário acabou por assumir um significado particular, numa terra que durante décadas foi fim de linha ferroviária.
David Lopes, Director Geral e Administrador das Edições Gerais do Grupo LeYa, explicou que a iniciativa nasceu da intenção de aproximar os livros das pessoas e criar novas experiências em torno da leitura.
«É uma viagem que nos leva ao encontro dos livros, da leitura, dos escritores, dos leitores, dos territórios, das comunidades», afirmou.
O responsável considerou ainda que o comboio assume uma dimensão simbólica especial.
«Esta iniciativa vem num meio de transporte que é o mais literário de todos, que é o comboio. Não há outro meio mais literário, mais mágico», referiu.
A adesão à iniciativa superou as expectativas da organização.
«As pessoas que ficaram em lista de espera dariam para fazer dez comboios», disse David Lopes, destacando a colaboração entre LeYa, CP, Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e os municípios envolvidos.
Évora associou o evento à promoção da leitura
Em Évora, o Comboio Literário integrou a Feira do Livro e juntou autores e leitores em debates e sessões de autógrafos no centro histórico da cidade.
A vereadora da Câmara Municipal de Évora, Carmen Carvalheira, considerou que a iniciativa reforça o posicionamento cultural da cidade.
«Évora já é e será sempre parceira de eventos que ajudem a promover a leitura, a trazer a cultura e a mostrar a sua força enquanto cidade que quer ser Capital Europeia da Cultura para sempre», afirmou.
A autarca defendeu ainda uma programação cultural contínua em torno dos livros.
«Queremos que a Feira do Livro seja sempre em crescendo, mas que não seja só um momento anual pontual», acrescentou.
O regresso simbólico do comboio a Vila Viçosa
Em Vila Viçosa, a chegada do Comboio Literário assumiu também um significado ligado à memória ferroviária da vila, onde os comboios deixaram de circular há várias décadas.
O presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, destacou o simbolismo da iniciativa.
«Apesar de já não haver comboios em Vila Viçosa, fica a memória dos comboios que aqui circularam muitos anos», afirmou.
O autarca sublinhou igualmente a importância da iniciativa para a promoção do concelho e da leitura junto dos mais jovens.
«Mostrar literatura, mostrar autores, mostrar escrita aos jovens pode fazer com que eles se interessem mais pela leitura», referiu.
Durante a receção ao Comboio Literário, Inácio Esperança recordou ainda a relação histórica de Vila Viçosa com a literatura, referindo que vários autores encontram inspiração no património e na história da vila.
Autores destacaram proximidade com os leitores
Ao longo da viagem, vários autores destacaram a possibilidade de contacto direto com os leitores num ambiente diferente do habitual.
Francisco Moita Flores descreveu a deslocação até Évora como «um regresso ao ventre da mãe», recordando a sua ligação ao Alentejo.
O escritor destacou ainda a proximidade criada durante a viagem.
«Estamos habituados a fazer autógrafos, mas há sempre um silêncio nessa relação. Aqui não. Aqui está toda a gente a falar», afirmou.
Também João Fernando Ramos valorizou a dimensão humana da iniciativa.
«Vivemos agarrados aos telefones. Podermos abraçar-nos, tocar-nos, é sempre outra experiência», afirmou o jornalista e escritor.
O autor destacou ainda a diferença entre a escrita jornalística e a escrita literária.
«No jornalismo temos de ser completamente objectivos. Aqui é a nossa imaginação», referiu.
Pedro Chagas Freitas centrou as suas declarações na relação emocional com os leitores e no papel da escrita.
«A escrita salva-me todos os dias», afirmou.
O escritor comparou ainda os livros a uma viagem partilhada entre autor e leitor.
«Um livro é uma viagem em que nós vamos juntos, autor e leitor», disse.
Já Luísa Sobral destacou o ambiente vivido durante a deslocação ferroviária.
«Foi muito bom. Conheci muitos escritores que não conhecia também», afirmou a cantora e autora.
Uma iniciativa que poderá regressar
Depois da forte adesão registada nesta primeira edição, a organização admite já a possibilidade de continuidade do projeto.
David Lopes considera que a iniciativa poderá crescer e assumir novos formatos ligados à literatura e aos territórios.
«Isto é uma primeira página escrita de um livro que pode ter muitas coisas escritas», afirmou.
Comboio Literário em Évora:
(Fotos: CM Évora e Hugo Calado)






















Comboio Literário em Vila Viçosa:
(Fotos: Hugo Calado)
























