O masterplan da Nova Aldeia do Pisão foi apresentado este domingo, 26 de abril, no Auditório Municipal do Crato, numa sessão participada pelos habitantes da atual aldeia, que será submersa no âmbito da construção da Barragem do Pisão.
O projeto prevê a construção de cerca de 80 habitações numa primeira fase, podendo atingir as 114 casas, de acordo com dados da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), entidade responsável pelo empreendimento.
Entre 80 e 114 habitações previstas
Joaquim Diogo, presidente da CIMAA e também presidente da Câmara Municipal do Crato, explicou aos jornalistas que o número final dependerá das opções das famílias entre indemnização ou realojamento.
“Aquilo que nós temos em termos de levantamento são mais de 100 habitações, cerca de 110 habitações sensivelmente. Neste momento nós temos cerca de 57 acordos assinados e temos depois ali, diria que mais de duas dezenas de dúvidas. Portanto, que andará ali na ordem das 80 casas, que se perspetiva que tenha a nova aldeia”, afirmou.
Segundo a CIMAA, a nova aldeia deverá ocupar uma área aproximada de 8,1 hectares, incluindo zonas de expansão, sendo que a área habitacional poderá corresponder a cerca de 9.600 metros quadrados.
O plano prevê ainda capacidade de crescimento. “Elas andaram sempre na ordem dos 110 lotes, digamos assim, porque nós temos uma perspetiva de alargamento da nova aldeia e de criar ali uma sinergia de atração de novos habitantes”, acrescentou o autarca.
Construção deverá arrancar em 2027
O calendário apresentado aponta para o arranque das obras no início de 2027, após conclusão dos procedimentos administrativos.
“Diria que em meados do próximo ano teremos que ter obra obrigatoriamente e teremos que ter a conclusão em 2029 sensivelmente”, indicou Joaquim Diogo.
A conclusão da nova aldeia deverá coincidir com a fase final da barragem, nomeadamente o enchimento da albufeira.
Investimento estimado entre 20 e 25 milhões
O investimento previsto para a construção da nova aldeia situa-se entre os 20 e os 25 milhões de euros.
“Neste momento dos nossos cálculos andará entre os 20 e os 25 milhões de euros de investimento na nova aldeia”, referiu o responsável.
Já a Barragem do Pisão representa um investimento superior a 220 milhões de euros, financiado pelo programa Sustentável 2030, com recurso ao Fundo de Coesão.
Nova aldeia inclui serviços e equipamentos
Além da componente habitacional, o projeto contempla a criação de vários equipamentos e serviços, incluindo comércio, junta de freguesia, espaço multiusos, centro interpretativo, espaços verdes, circuitos pedonais e extensão de saúde.
As tipologias habitacionais deverão variar entre T1 e T4, com áreas indicativas entre 80 e 150 metros quadrados, procurando adaptar-se à estrutura urbana atual da aldeia.
“Tudo aquilo que nós oferecermos tem que ser sempre melhor do que aquilo que as pessoas têm. Este é um princípio que está aí. As pessoas têm que receber mais do que aquilo que tinham em termos das suas condições de vida”, sublinhou Joaquim Diogo.
Participação da população marca sessão
A apresentação do masterplan contou com elevada adesão da população, num processo que inclui várias sessões participativas.
“As pessoas perceberam que um projeto não tem nada a ver com o outro e vieram com uma motivação diferente para participar”, disse o autarca, referindo-se à visita realizada à Aldeia da Luz.
As preocupações dos habitantes incidiram sobre a organização da nova aldeia, localização de serviços e elementos identitários, como espaços de convívio ou equipamentos comunitários.
Trabalhos da barragem já em curso
No terreno, decorrem trabalhos preparatórios da barragem, incluindo estudos geotécnicos, delimitação de áreas de intervenção e instalação de estaleiros.
“Estão a decorrer a preparação para montagem de estaleiro e as máquinas entram em força na próxima terça-feira [28 de abril] nas infraestruturas primárias”, indicou Joaquim Diogo.
Enquadramento
O Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, conhecido como Barragem do Pisão, ocupará uma área de cerca de 10 mil hectares e implicará a submersão da atual aldeia, onde residem permanentemente entre 65 e 70 pessoas.
Considerado estratégico para a região, o projeto tem como objetivos reforçar o abastecimento público de água, criar novas áreas de regadio e contribuir para a produção de energia renovável.
A nova aldeia será construída a cerca de dois quilómetros a norte da atual localização, junto ao Monte da Velha, integrando também áreas destinadas à sua expansão futura.










































