O investimento de cerca de 37 milhões de euros da Central Fotovoltaica da Cavaleira, em São Bento do Cortiço e Santo Estêvão, está a traduzir-se em benefícios diretos para a população local através de um protocolo assinado entre o Município de Estremoz, a União de Freguesias e a Hyperion Renewables, que prevê um investimento de 64.500 euros em projetos de interesse comunitário.
O acordo, formalizado na passada quinta-feira, permitirá a instalação de uma unidade de autoconsumo na Igreja Paroquial de Santo Estêvão e apoiará a conclusão do Museu Etnográfico do Rancho Folclórico de São Bento do Cortiço, duas intervenções apontadas pelos responsáveis locais como prioritárias para o território.
Investimento energético com retorno para o território
Durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Pena Sádio, enquadrou a iniciativa no contexto da Central Fotovoltaica da Cavaleira, sublinhando a importância das energias renováveis para o futuro.
«É importante cada vez mais produzirmos energias limpas e é disso que se trata», afirmou o autarca, acrescentando que o enquadramento legal permite que investimentos desta natureza possam também gerar contrapartidas para os territórios onde são instalados.
Segundo explicou, as necessidades apoiadas foram identificadas numa reunião entre a autarquia, a União de Freguesias e a empresa promotora do projeto, tendo sido escolhidos dois investimentos considerados relevantes para a comunidade.
«Foi solicitado um apoio para criarmos uma unidade de autoprodução na Igreja de Santo Estêvão (…) e também um apoio para a conclusão daquilo que é o museu, o espaço que lá está quase pronto», referiu José Daniel Pena Sádio.
O presidente da Câmara destacou ainda a importância cultural do Rancho Folclórico de São Bento do Cortiço, recordando o envolvimento da comunidade na concretização do projeto do museu e considerando que o novo apoio permitirá reforçar as condições de um espaço ligado à memória e à identidade da freguesia.
Museu etnográfico e igreja entre as prioridades da freguesia
Para Ricardo Candeias, presidente da União de Freguesias de São Bento do Cortiço e Santo Estêvão, o protocolo representa a concretização de um percurso iniciado há vários anos para preservar o património cultural local.
O autarca recordou que o projeto do museu nasceu da necessidade de salvaguardar um conjunto de peças e documentos ligados à história do Rancho Folclórico de São Bento do Cortiço.
«Tivemos conhecimento que o nosso Rancho Folclórico tinha um acervo importantíssimo e era uma pena estar guardado numa casa a deteriorar-se», explicou.
Segundo Ricardo Candeias, o apoio agora garantido permitirá avançar não apenas com o Museu Etnográfico, mas também com infraestruturas complementares de apoio ao polidesportivo local.
«Sentimos sempre a necessidade de repartir entre uma freguesia e outra. Haveria sempre uma mais-valia para São Bento do Cortiço e também para Santo Estêvão», afirmou, justificando a escolha dos dois projetos contemplados pelo protocolo.
O presidente da União de Freguesias aproveitou ainda para agradecer a disponibilidade demonstrada pela empresa ao longo do processo.
«Desde o primeiro momento em que solicitámos reuniões, sempre foram impecáveis, sempre disponíveis e sempre a incentivar-nos», referiu.
Hyperion destaca integração com a comunidade
Do lado da Hyperion Renewables, o diretor Diogo Trindade afirmou que o protocolo reflete a forma como a empresa procura desenvolver os seus projetos de energia renovável.
«Queremos que os nossos projetos sejam sustentáveis do ponto de vista energético, mas também sustentáveis do ponto de vista do território e dos locais onde estão inseridos», afirmou.
O responsável explicou que as duas ações apoiadas possuem naturezas diferentes, mas complementares. Por um lado, a instalação da unidade de autoconsumo contribui para a redução dos custos energéticos e para a transição energética; por outro, o apoio ao museu reforça a preservação da identidade cultural local.
«A unidade de autoconsumo olha mais para o futuro», afirmou, acrescentando que o Museu Etnográfico «olha mais para valores da nossa história e do património cultural presentes neste território».
Para Diogo Trindade, a combinação destes dois objetivos demonstra que a transição energética pode coexistir com a valorização das comunidades locais.
«Não queremos ser uma empresa que apenas implementa os seus projetos. Queremos, acima de tudo, que estes projetos sejam bem integrados com a comunidade local», sublinhou.
Central está em fase final de construção
A Central Fotovoltaica da Cavaleira possui uma potência instalada de 52 megawatts e encontra-se atualmente em fase de comissionamento, estando a ligação à rede prevista para breve.
De acordo com a Hyperion Renewables, a infraestrutura deverá produzir cerca de 100 gigawatts-hora de energia por ano, contribuindo para o reforço da produção de energia renovável em Portugal.
Com a assinatura deste protocolo, Município de Estremoz, União de Freguesias e Hyperion Renewables formalizam uma parceria que associa a produção de energia renovável a investimentos concretos em património cultural e eficiência energética no território onde a central está instalada.



































