O Centro de Respostas Integradas (CRI) do Alentejo Central, através do ICAD, assinou um protocolo de cooperação com a Universidade de Évora, com o objetivo de reforçar a intervenção na área dos comportamentos aditivos e dependências, apostando na produção de conhecimento e na prevenção junto da comunidade académica.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Paulo Jesus explicou que o acordo surge como uma atualização de uma colaboração já existente entre as duas entidades. «Este protocolo vem reatualizar um conjunto de dinâmicas de cooperação que nós já temos com a Universidade há alguns anos», referiu, acrescentando que houve necessidade de «alargar o âmbito do protocolo» face aos novos desafios identificados.
Cooperação reforçada na produção de conhecimento
Segundo o responsável, a ligação à academia é considerada essencial para acompanhar a evolução dos comportamentos aditivos. «É impossível nós não termos alguém que produz conhecimento», afirmou, destacando o papel da Universidade de Évora na supervisão e validação de processos de monitorização.
O CRI do Alentejo Central criou, em 2016, um observatório regional dedicado à monitorização deste fenómeno, o único do género a nível nacional. Com este protocolo, pretende-se reforçar essa estrutura, através do contributo científico da academia.
Paulo Jesus sublinhou ainda que os dados nacionais indicam que o Alentejo apresenta desafios nesta área, o que justifica a criação de mecanismos próprios de análise e acompanhamento.
Intervenção junto da comunidade académica
O protocolo prevê também uma atuação direta junto dos estudantes universitários, considerados um grupo relevante no contexto da prevenção. «A entrada para a faculdade é sempre um elemento de grande desafio pessoal», afirmou, apontando que este momento pode constituir um fator de risco associado a novos contextos sociais.
Nesse sentido, o CRI mantém há mais de uma década intervenções em eventos académicos como a Queima das Fitas e a receção ao caloiro, em colaboração com a Associação de Estudantes da Universidade de Évora.
«Temos aquilo a que chamamos intervenção de redução de riscos e minimização de danos», explicou, referindo que as equipas estão presentes nos contextos de diversão académica para alertar para comportamentos de risco.
Abrangência alargada na cidade de Évora
A cooperação envolve uma comunidade significativa, numa cidade com cerca de 53 mil habitantes que recebe milhares de estudantes. «Temos de repente 10.000 estudantes, 1.500 trabalhadores e uma massa significativa de pessoas que podemos cobrir com as nossas respostas», indicou Paulo Jesus.
O responsável considera que este protocolo representa também um sinal à comunidade. «Estamos unidos, a academia e as estruturas de saúde, em prol do bem-estar comum», concluiu.















