A presidente do Conselho Diretivo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), Joana Teixeira, defendeu, em Évora, a necessidade de adaptação e reinvenção das respostas na área dos comportamentos aditivos, face à evolução dos contextos sociais e dos padrões de consumo.
As declarações foram feitas ao Jornal ODigital.pt, em Évora, no âmbito do encontro científico que assinalou os 30 anos do Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central (CRIAC), realizado esta quinta-feira, 16 de abril de 2026.
Mudança nos contextos exige novas respostas
Joana Teixeira sublinhou que as transformações sociais têm impacto direto nas dinâmicas das dependências, exigindo uma revisão contínua das estratégias de intervenção. «Vivemos tempos desafiantes. Mudam os contextos sociais, evoluem os padrões de consumo, surgem novas vulnerabilidades», afirmou.
A responsável considerou que respostas anteriormente eficazes podem já não ser suficientes face à realidade atual. «Aquilo que ontem era uma resposta suficiente pode hoje revelar-se incompleto», referiu, defendendo a necessidade de ajustamento permanente das políticas e práticas nesta área.
Reinvenção como oportunidade de melhoria
A presidente do ICAD enquadrou o conceito de crise como um momento de reflexão e evolução, apontando a reinvenção como um caminho necessário. «A noção de crise deve ser entendida não como fragilidade, mas como um momento de reflexão, como oportunidade de questionar, de ajustar e de melhorar», afirmou.
Segundo Joana Teixeira, reinventar implica valorizar o percurso feito e projetá-lo no futuro. «Reinventar não é negar o passado, mas valorizá-lo, reinterpretá-lo e projetá-lo no futuro», acrescentou, destacando a importância de manter o foco nas pessoas e na resposta às suas necessidades.
Três décadas de intervenção no Alentejo Central
A responsável destacou ainda o percurso do CRI do Alentejo Central ao longo das últimas três décadas, considerando-o um exemplo de proximidade e capacidade de resposta. «O Alentejo Central tem sido, ao longo destas três décadas, um exemplo de proximidade, de resiliência e de capacidade de resposta», afirmou.
Joana Teixeira salientou que a celebração dos 30 anos representa um momento de balanço, mas também de projeção do futuro. «Trinta anos representam maturidade, experiência acumulada e conhecimento consolidado», referiu.
Compromisso com a evolução das respostas
A dirigente do ICAD reafirmou o compromisso institucional com a evolução das respostas na área dos comportamentos aditivos, destacando a importância da cooperação entre entidades.
«Reafirmamos o nosso compromisso com este caminho, num percurso feito de cooperação, de conhecimento acumulado e partilhado, mas também de constante evolução», afirmou.
O encontro científico decorreu no Auditório da CCDR Alentejo, reunindo especialistas nacionais e internacionais, e integrou as comemorações dos 30 anos do CRIAC, com sessões dedicadas à reflexão sobre prevenção, tratamento e reinserção na área das dependências.
















