O InnovPlantProtect (InPP), laboratório colaborativo sediado em Elvas, desenvolveu uma tecnologia de revestimento de sementes à base de algas com efeito bioestimulante, em parceria com a empresa portuguesa Fertiprado. A inovação poderá contribuir para melhorar o desempenho das culturas e reforçar a sustentabilidade agrícola na região do Alentejo.
A solução, atualmente em processo de patente, resulta de cinco anos de investigação e destina-se sobretudo a pastagens e forragens. De acordo com o comunicado, permite estimular a nodulação em leguminosas, promover o crescimento inicial das plantas, aumentar a resistência em condições de stress e melhorar o perfil nutricional do pasto.
Investigação desenvolvida em Elvas com impacto regional
O projeto foi desenvolvido no InPP, instalado em Elvas desde 2019, reforçando o papel do concelho como polo de investigação agrícola. A tecnologia surge como alternativa a revestimentos convencionais baseados em produtos sintéticos.
O diretor executivo do InPP, António Saraiva, afirma que os resultados representam a aplicação prática da investigação realizada.
“Este produto vai ao encontro das necessidades de muitos produtores e contribuirá para reforçar a vertente inovadora da Fertiprado”, refere.
Também Pedro Viterbo, gestor da Fertiprado, destaca a colaboração entre as duas entidades.
“A colaboração tem sido decisiva para transformar conhecimento científico em inovação com utilidade prática”, sublinha.
Agricultura do Alentejo em foco
A nova tecnologia surge num contexto de crescente procura por soluções agrícolas mais sustentáveis, particularmente relevante em regiões como o Alentejo, onde as condições climáticas exigem maior resiliência das culturas.
O desenvolvimento foi realizado no âmbito da Agenda Mobilizadora Pacto da Bioeconomia Azul, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que aposta na valorização de recursos marinhos para aplicações económicas, incluindo a agricultura.
Em março deste ano, foi assinado em Elvas um memorando de entendimento para a exploração comercial da tecnologia, marcando um passo para a sua entrada no mercado.
Ligação entre investigação e empresas na região
Segundo o InPP, a colaboração com empresas permite acelerar processos de inovação e facilitar o acesso a financiamento e redes de cooperação, com impacto direto na competitividade do setor agrícola.
O laboratório colaborativo dedica-se ao desenvolvimento de soluções biológicas para proteção de culturas, com enfoque nas culturas mediterrânicas, enquanto a Fertiprado, fundada em 1990, aposta em misturas biodiversas de sementes para melhorar a fertilidade dos solos e a produtividade agrícola.
A nova tecnologia reforça a aposta em inovação agrícola com origem em Elvas, num setor considerado estratégico para a economia regional.















