A programação da Capital Europeia da Cultura Évora_27 está a ser construída como um processo contínuo, que cruza diversidade cultural, participação das comunidades e criação artística ao longo de vários anos, com 2026 a assumir-se como um momento de consolidação e preparação para 2027.
A partir de Évora, mas com extensão ao Alentejo Central e outras regiões, o programa pretende afirmar-se como um espaço de encontro entre artistas, territórios e públicos, num modelo que privilegia o diálogo entre o local e o internacional.
Segundo o diretor artístico da Évora_27, John Romão, um dos eixos centrais da programação passa pela introdução de maior diversidade cultural no território, historicamente menos exposto a determinadas linguagens artísticas. «Um dos objectivos de Évora 27 é fomentar a diversidade cultural […] ter a participação de diferentes artistas, de diferentes origens no território», afirmou.
Um território artístico em construção
Mais do que um conjunto fechado de eventos, a programação está a ser pensada como um processo em evolução, com projetos que atravessam várias fases até à apresentação final em 2027.
Ao longo de 2026, serão apresentados diferentes momentos desses projetos, desde residências artísticas a debates, ciclos de cinema ou lançamentos editoriais, compondo um percurso que se prolonga no tempo. «Estamos a apresentar projetos de diferentes fases […] neste voo de longo curso até 2027», explicou o diretor artístico.
Este modelo permite acompanhar o desenvolvimento das criações e envolver progressivamente os públicos, reforçando a dimensão processual da iniciativa.
Diálogo entre o Alentejo e o contexto europeu
A programação assenta também na relação entre o território e o exterior, promovendo o encontro entre artistas do Alentejo e criadores de outras geografias.
John Romão sublinha a importância desse cruzamento, apontando para um “diálogo intercultural” que se concretiza tanto na vinda de artistas internacionais como na deslocação de criadores locais para novas práticas. «Este diálogo intercultural […] através deste encontro, desta contaminação de perspetivas […] faz com que a programação ganhe abrangência e pertinência», referiu.
Este intercâmbio inclui artistas que se apresentam pela primeira vez no território, bem como projetos desenvolvidos em colaboração com estruturas locais.
Participação das comunidades no centro da programação
Outro dos pilares da Évora_27 é a participação ativa das comunidades, não apenas como público, mas como parte integrante dos processos criativos.
Vários projetos estão a ser desenvolvidos em co-criação com a população, envolvendo cidadãos, associações e organizações de diferentes áreas. «A participação cultural na co-criação […] é uma das dimensões fundamentais», afirmou John Romão, defendendo que a Capital Europeia da Cultura deve ser construída com a sociedade civil.
Este modelo procura gerar um sentimento de pertença e reforçar a ligação entre a programação e o território.
Programação itinerante no Alentejo Central
A estratégia inclui ainda uma dimensão itinerante, com projetos a circular por diferentes municípios do Alentejo Central, alargando o impacto territorial da iniciativa.
Embora Évora assuma o papel de epicentro, a programação será disseminada por várias localidades, permitindo que diferentes comunidades contactem com os projetos. «A circulação […] é uma característica fundamental da programação», sublinhou o diretor artístico.
Já em 2026, está prevista a presença regular de iniciativas em vários concelhos, antecipando o modelo que será consolidado em 2027.
O conceito de “Vagar” como eixo estruturante
No centro da programação está o conceito de “Vagar”, entendido não como uma criação recente, mas como uma característica enraizada na identidade do Alentejo.
Para John Romão, este conceito funciona como ponto de partida para a reflexão artística e para o diálogo com outras culturas. «O vagar não é uma invenção nossa […] é algo que está completamente inscrito […] na cultura e no território do Alentejo», afirmou.
A partir dessa base, a programação convida artistas de diferentes origens a interpretar e explorar o conceito, cruzando perspetivas e experiências.
Interesse internacional crescente
O alcance da iniciativa já se reflete na participação internacional, com centenas de candidaturas recebidas no âmbito das convocatórias abertas.
Segundo o diretor artístico, a open call internacional reuniu 804 candidaturas provenientes de 69 países, um indicador do interesse global gerado pelo projeto. «Foi muito interessante percebermos este interesse tão grande em torno do Alentejo e de Évora 27», referiu.
Este envolvimento reforça a dimensão europeia da programação e antecipa a visibilidade internacional esperada para 2027.
A programação da Évora_27 continua, assim, a desenhar-se como um processo alargado no tempo, combinando criação artística, participação cívica e projeção internacional, com 2026 a assumir um papel central na preparação do ano em que a cidade será Capital Europeia da Cultura.















