O turismo não se mede apenas em números, receitas ou dormidas. É feito de pessoas. Foi esta a ideia central que marcou a inauguração, esta quinta-feira, da exposição «O Turismo é feito de Pessoas», patente no Évora Plaza até 16 de abril, reunindo entidades nacionais e regionais num apelo convergente à valorização dos profissionais do setor.
A iniciativa, promovida pelo Turismo de Portugal em parceria com a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), apresenta 20 fotografias que retratam diferentes profissões do turismo, protagonizadas por alunos da rede de escolas da instituição. Mais do que uma mostra visual, assume-se como um exercício de reconhecimento público de uma atividade que sustenta uma parte relevante da economia nacional e regional.
Uma exposição sobre pessoas num setor dominado por números
Na abertura, a vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, Catrina Paiva, enquadrou a exposição como um contributo para recentrar o debate no fator humano do turismo. «Estamos aqui com um propósito muito claro, reconhecer e valorizar os profissionais que trabalham no setor do turismo», afirmou, sublinhando que a atividade «é um pilar fundamental da nossa economia», mas também «da coesão territorial» e «da identidade cultural do país» .
Num momento em que o setor enfrenta transformações, a responsável destacou a necessidade de «crescer em valor e não apenas em volume», defendendo que esse caminho «só se faz através de pessoas altamente qualificadas, motivadas e valorizadas» . A exposição, acrescentou, pretende também dar visibilidade à diversidade das profissões do turismo, muitas vezes desconhecidas do público.
A escolha dos centros comerciais como espaço de itinerância da mostra foi igualmente justificada pela proximidade ao público. «Estamos a falar de uma dimensão de cerca de 650 milhões de visitas ao longo do território», referiu, considerando tratar-se de um meio eficaz para aproximar o setor das comunidades .
Alentejo afirma-se como destino e enfrenta desafio da valorização
O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, enquadrou a iniciativa no contexto de crescimento do setor na região, mas alertou para a necessidade de reforçar a valorização social e económica das profissões.
«As profissões do turismo são cada vez mais importantes à medida que o turismo é mais importante na nossa economia», afirmou, defendendo que os profissionais devem ter um reconhecimento que se reflita também nas condições remuneratórias .
Referindo dados recentes, indicou que o Alentejo ultrapassou os três milhões de euros em proveitos de aposento, num sinal de consolidação do destino. Ainda assim, sublinhou que «é preciso que esta economia turística impacte mais nas comunidades locais» e contribua para a melhoria da qualidade de vida .
Para o responsável, iniciativas como esta exposição podem desempenhar um papel pedagógico, ajudando a dar visibilidade às profissões e a atrair novos profissionais para um setor que continua a necessitar de qualificação e retenção de talento.
Turismo como ativo estratégico do território
Também o vice-presidente da CCDR Alentejo, Roberto Grilo, centrou a sua intervenção na dimensão humana do turismo, contrapondo-a à habitual leitura baseada em indicadores económicos.
«Estamos habituados a falar de receitas, de números, de dormidas, mas isto tudo acontece porque há pessoas, há profissionais de elevado valor que o permitem», afirmou, considerando que a exposição representa «um reconhecimento justo» do contributo destes trabalhadores .
Do ponto de vista do desenvolvimento regional, defendeu que o turismo deve ser encarado como «um ativo estratégico» e não apenas como um setor económico isolado. Nesse contexto, destacou a importância da autenticidade do Alentejo, que, segundo afirmou, «é feita pela partilha dos profissionais do turismo» .
A qualificação e a formação surgem, neste quadro, como fatores determinantes para sustentar o crescimento da atividade e garantir a ligação entre o turismo e o território.
Évora e o desafio da experiência turística
Na mesma linha, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, associou a valorização dos profissionais à qualidade da experiência turística, apontando esse fator como determinante para o futuro da cidade.
«O turismo é feito de experiência e a experiência que marca é a que é feita com as pessoas», afirmou, defendendo que a excelência do setor resulta «do toque que as pessoas introduzem para fazer a diferença» .
O autarca destacou ainda o desafio de acrescentar valor à oferta turística, articulando património, identidade e modernidade. «Temos que combinar a história com a visão daquilo que quem nos visita quer ver», referiu, enquadrando este esforço na preparação de Évora para a Capital Europeia da Cultura em 2027 .
Segundo Carlos Zorrinho, esse momento deverá funcionar como um «laboratório» para afirmar uma oferta turística baseada na experiência e na capacidade de marcar quem visita a cidade.
Entre a exposição e o contacto com o público
A exposição «O Turismo é feito de Pessoas» prolonga-se até 16 de abril e inclui um conjunto de atividades paralelas dinamizadas por chefs, formadores e alunos das Escolas do Turismo de Portugal.
Estas ações procuram aproximar o público das competências associadas às diferentes profissões do setor, reforçando o objetivo central da iniciativa: dar visibilidade ao trabalho diário que sustenta o turismo em Portugal.
















































