A procura por serviços de limpeza doméstica continua a crescer em Portugal, mas no Alentejo permanecem entre os territórios com maior dificuldade em responder aos pedidos feitos pelos consumidores através de plataformas digitais.
De acordo com dados da Fixando, plataforma online de contratação de serviços, Portalegre registou 0% de resposta aos pedidos de limpeza na primeira semana de janeiro de 2026, apesar de continuar a concentrar pedidos ativos. A situação agrava um cenário já frágil: em 2025, apenas 14% dos pedidos feitos no distrito tinham obtido resposta por parte de profissionais.
Também em Évora a oferta revela limitações. O distrito representou cerca de 1% da procura nacional no arranque do ano, com uma taxa de resposta de 33%, valor inferior à média registada nos grandes centros urbanos. Apesar disso, Évora apresenta um dos preços médios mais elevados do país, com o serviço de limpeza a manter-se nos 15 euros por hora, sem variação face a 2025.
No caso de Beja, os dados mais recentes não permitem aferir a evolução no início de 2026, devido ao volume reduzido de pedidos registados na plataforma. Ainda assim, os números de 2025 apontam para um padrão semelhante ao dos restantes distritos alentejanos: apenas 12% dos pedidos de limpeza tiveram resposta, num território que representava cerca de 1% da procura nacional.
Preços sobem, mas a oferta não acompanha
A nível nacional, o preço médio dos serviços de limpeza subiu para 12 euros por hora em 2026, mais um euro do que no ano anterior, refletindo uma tendência de aumento generalizado. Em Portalegre, o valor médio passou de 10 para 11 euros, enquanto em Évora se manteve nos 15 euros. Em Beja, não existem dados atualizados para este ano, embora o preço médio em 2025 já estivesse fixado nos 15 euros por hora.
Apesar da subida dos preços, os dados indicam que a oferta de profissionais continua concentrada nos grandes centros urbanos, como Lisboa e Porto, deixando os distritos do interior com dificuldades acrescidas em responder à procura.
Interior continua fora do radar das plataformas
Os números reforçam a assimetria entre litoral e interior no acesso a serviços essenciais, mesmo em áreas como a limpeza doméstica, cada vez mais procurada por famílias e empresas. Enquanto distritos como Braga e Faro apresentam taxas de resposta superiores a 80%, territórios como Portalegre continuam sem qualquer resposta registada no início de 2026.
A Fixando aponta a escassez de profissionais inscritos como um dos principais fatores para a falta de resposta em zonas menos populosas, sublinhando a necessidade de atrair mais prestadores de serviços para equilibrar a oferta e a procura.















