A circulação do vírus da Febre do Nilo Ocidental foi confirmada em Portugal, com oito focos identificados no Alentejo. A informação foi avançada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, que recomendou a vacinação de equídeos nas zonas afetadas e medidas de proteção contra mosquitos.
A DGAV informou que recebeu notificações de suspeitas da doença em equídeos. Os dados confirmam a presença do vírus em território nacional. Além do Alentejo, foram detetados quatro focos em Lisboa e Vale do Tejo.
Medidas recomendadas pela DGAV
A DGAV aconselhou a vacinação dos cavalos nas áreas de risco. A entidade alertou também para a necessidade de reduzir a exposição dos animais a mosquitos. Entre as medidas indicadas estão o uso de repelentes e a eliminação de águas paradas, consideradas locais de reprodução dos insetos.
A entidade sublinhou que qualquer suspeita deve ser comunicada. A vacinação voluntária pode ser autorizada em todo o território, desde que solicitada pelo médico veterinário responsável e cumpridos os procedimentos definidos no Manual de Procedimentos.
Características e transmissão do vírus
A Febre do Nilo Ocidental é causada por um flavivírus transmitido pela picada de mosquitos do género Culex. As aves selvagens são os principais hospedeiros. Os equídeos e os seres humanos podem desenvolver doença, mas não contribuem para a transmissão.
Os equídeos infetados podem apresentar sinais ligeiros. Em alguns casos surgem sintomas neurológicos, que podem ser fatais. As aves selvagens, em especial os corvídeos, são consideradas mais suscetíveis ao vírus.
Histórico da doença na Europa e vigilância em Portugal
A FNO foi registada na Europa pela primeira vez em 2000, em França, após várias décadas sem casos. Desde então, vários países europeus têm identificado focos da doença. Entre janeiro e 15 de setembro deste ano, foram confirmados 272 focos em animais na Europa, sobretudo em Itália.
O Plano de Vigilância Passiva e Ativa 2026-2028 define as orientações para deteção precoce do vírus. A vigilância inclui avaliação clínica e serológica de aves selvagens e equídeos. Os médicos veterinários são chamados a reforçar a monitorização.
Situação do Alentejo na última década
Os dados nacionais mostram que o Alentejo tem registado focos de FNO ao longo dos últimos anos. Em 2015 foram identificados três focos. Em 2016 e 2017, um foco por ano. Entre 2018 e 2021, a região manteve registos pontuais. Em 2022 surgiram três focos. Em 2023 registaram-se três focos. Em 2024 o Alentejo concentrou 22 focos. Em 2025 foram já confirmados oito.
A evolução demonstra uma presença recorrente da doença na região, exigindo manutenção das medidas de vigilância e prevenção.
















