O MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e o Laboratório Associado ARNET – Rede de Investigação Aquática lançam entre 25 e 29 de maio uma campanha nacional de sensibilização para alertar para os impactos das espécies invasoras aquáticas em Portugal. A iniciativa decorre no âmbito da Semana sobre Espécies Invasoras (#SEI2026) e pretende alertar para os impactos ambientais, sociais e económicos associados a estas espécies.
Segundo as entidades responsáveis, os custos anuais globais associados às espécies invasoras ultrapassam os 423 mil milhões de dólares, de acordo com dados da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES).
Campanha inclui ações digitais e cartazes em vários concelhos
A campanha terá presença nas redes sociais e através de cartazes colocados em locais estratégicos de municípios como Lisboa, Cascais, Vila Velha de Ródão, Proença-a-Nova, Mação, Gavião e Penamacor, zonas identificadas como algumas das mais afetadas pelo problema.
A iniciativa pretende demonstrar que o comportamento humano é frequentemente responsável pela introdução destas espécies nos ecossistemas aquáticos. Entre os exemplos destacados estão a libertação de tartarugas exóticas em rios e lagos, o descarte de isco vivo utilizado na pesca e a disseminação de espécies invasoras marinhas.
Cinco dias dedicados a diferentes espécies invasoras
A campanha será desenvolvida ao longo de cinco dias, cada um dedicado a uma espécie ou problemática específica.
No dia 25 de maio, o foco será a libertação de tartarugas exóticas em ambientes naturais. A campanha alerta que este tipo de prática afeta as espécies nativas e constitui um crime ambiental.
No dia seguinte, será abordado o problema do ganso coreano, uma minhoca marinha utilizada como isco vivo na pesca, cuja introdução nos estuários pode ocorrer através do descarte do restante isco na água.
A 27 de maio, a campanha centra-se no peixe-gato-europeu, conhecido como siluro, espécie que pode atingir 2,8 metros de comprimento. O investigador do MARE, Filipe Ribeiro, afirma que «ninguém o come, mas ele come tudo», defendendo que o controlo da espécie pode também passar pela gastronomia.
No dia 28, o destaque será dado à alga castanha Rugulopteryx okamurae, identificada como responsável pela ocupação de fundos rochosos e por impactos nas pescas e no turismo.
O último dia da campanha será dedicado a um alerta global sobre o problema das espécies invasoras.
Investigadores apelam à prevenção
Joana Cardoso, do MARE, refere que a campanha surge como continuidade do trabalho científico desenvolvido pela instituição.
«Queremos que o pescador, o aquarista e o cidadão comum percebam que têm um papel ativo. Um pequeno descuido pode alterar para sempre o equilíbrio de um rio ou de uma praia», afirma.
A iniciativa conta ainda com a colaboração da empresa de isco vivo Valbaits, que irá incluir mensagens de alerta nas caixas de isco, e com o apoio de vários municípios parceiros.















