A época de incêndios de 2025 foi a mais grave alguma vez registada na União Europeia, com mais de 1 milhão de hectares ardidos, e Portugal destacou-se entre os países mais afetados, segundo dados do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia.
De acordo com o relatório europeu, em Portugal foram registados 999 incêndios, que consumiram 284 012 hectares, duplicando a área ardida face a 2024 e tornando 2025 o segundo pior ano desde 2010.
Portugal entre os países mais afetados
Os dados indicam que a maior parte da área ardida em território nacional concentrou-se no mês de agosto, responsável por 81% do total anual.
Os maiores incêndios ocorreram sobretudo nas regiões do Centro e Norte, com destaque para Beiras e Serra da Estrela, Região de Coimbra, Viseu Dão Lafões e Douro.
Entre os incêndios de maior dimensão, vários ultrapassaram os 10 mil hectares, incluindo um com mais de 62 mil hectares.
Mais de metade da área ardida em Portugal — cerca de 51 mil hectares — ocorreu em zonas classificadas como Natura 2000, correspondendo a 2,15% da área protegida nacional.
Europa registou época recorde de incêndios
No conjunto da União Europeia, arderam 1 079 538 hectares em 2025, o valor mais elevado desde o início dos registos do sistema europeu EFFIS.
A época começou mais cedo do que o habitual, com mais de 100 mil hectares ardidos até março, e intensificou-se durante o verão, atingindo o pico em agosto.
Uma onda de calor nas primeiras semanas de agosto desencadeou vários incêndios de grande dimensão, sobretudo na Península Ibérica, onde 22 fogos de grande escala consumiram cerca de 460 mil hectares.
Península Ibérica no centro dos grandes incêndios
Espanha foi o país mais afetado da União Europeia, com mais de 400 mil hectares ardidos, seguida por Portugal.
Os dados indicam ainda que cerca de 39% da área ardida na UE ocorreu em áreas protegidas da rede Natura 2000, totalizando mais de 424 mil hectares.
Tendência aponta para épocas mais intensas
O relatório europeu refere que a época de 2025 confirma uma tendência registada nos últimos anos, marcada por início mais precoce dos incêndios, maior frequência de ondas de calor e ocorrência de fogos de grande dimensão.
No total das regiões monitorizadas — Europa, Médio Oriente e Norte de África — a área ardida ultrapassou 2,2 milhões de hectares em 2025.















