O antigo presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), João Goulão, defendeu o reforço das equipas especializadas e das condições de intervenção no território para responder aos atuais desafios das dependências no Alentejo.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, no âmbito das comemorações dos 30 anos do Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central (CRIAC), o responsável destacou a importância destas estruturas no apoio às populações.
Intervenção alargada a novos comportamentos aditivos
João Goulão recordou a evolução do trabalho desenvolvido desde a criação destas unidades, sublinhando que o âmbito de intervenção se expandiu para além das drogas ilícitas. «Hoje em dia, o escopo de intervenção vai muito para além disso. Para além das drogas, temos o álcool, o jogo, os ecrãs», afirmou.
O antigo responsável considerou que esta diversidade de problemáticas reforça a necessidade de equipas especializadas capazes de dar resposta às novas realidades. «É cada vez mais indispensável a existência de equipas especializadas que consigam apoiar as populações», referiu.
Alentejo enfrenta desafios específicos
Relativamente à região, João Goulão apontou o consumo de álcool como uma das principais preocupações. «É uma temática muito importante no Alentejo e que tem a ver com o abuso do álcool, algo muito mais cultural», afirmou.
O responsável alertou ainda para outros fatores que influenciam os comportamentos aditivos no território, nomeadamente o isolamento e as características demográficas. «Há realidades de isolamento, grandes distâncias, dificuldades no relacionamento social cara a cara», referiu.
Novas realidades exigem respostas adaptadas
João Goulão destacou também o impacto das novas tecnologias e dos comportamentos digitais, como o jogo online e o uso intensivo de redes sociais, considerando que estes fenómenos exigem abordagens específicas.
Segundo o antigo dirigente, a resposta deve ser construída com base no conhecimento das realidades locais. «Tudo isto exige abordagens por quem conhece as sociedades locais e consegue produzir dinâmicas adequadas», afirmou.
Apelo ao reforço das condições de intervenção
O antigo presidente do ICAD defendeu o reforço das equipas e das condições logísticas das estruturas existentes, como forma de garantir uma resposta eficaz. «Só espero que seja possível consolidar a equipa, reforçá-la e melhorar as condições logísticas», afirmou.
João Goulão sublinhou ainda que o CRI do Alentejo Central, além do percurso desenvolvido, enfrenta novos desafios que exigem investimento e continuidade na intervenção.















