A Infraestruturas de Portugal (IP) celebrou um contrato no valor de 50.944 euros, acrescido de IVA, para assegurar o transporte de uma locomotiva da série 1900 e quatro vagões balastreiros destinados à realização de ensaios nos viadutos de Lucefece, Asseca II e Pardais, integrados na nova ligação ferroviária Évora Norte – Elvas/Caia.
De acordo com o contrato n.º 10021760/DE/2026, o serviço foi adjudicado à MEDWAY – Operador Ferroviário de Mercadorias, S.A., e tem um prazo de execução de 45 dias.
Ensaios inseridos no Corredor Internacional Sul
Os ensaios de receção serão realizados pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), no âmbito do acompanhamento à empreitada geral da nova ligação ferroviária entre Évora Norte e Elvas/Caia, integrada no Corredor Internacional Sul.
Segundo os planos de trabalhos, os três viadutos situam-se em diferentes pontos da Linha de Évora:
- O Viaduto de Lucefece localiza-se entre o km 159+695 e o km 160+395, no subtroço Freixo-Alandroal;
- O Viaduto da Asseca II situa-se entre o km 177+584 e o km 178+228;
- O Viaduto Pardais está implantado entre o km 170+545 e o km 171+330.
Nos três casos, os ensaios incluem provas estáticas, ensaios dinâmicos de vibração ambiente e ensaios de frenagem.
Ensaios com locomotiva e vagões balastreiros
Os testes preveem a utilização de uma locomotiva e de três a quatro vagões balastreiros carregados, consoante o viaduto em análise. As cargas serão posicionadas em diferentes secções dos tabuleiros para induzir esforços específicos, nomeadamente momentos fletores positivos e negativos.
Durante os ensaios estáticos, a locomotiva circulará a velocidades reduzidas, podendo atingir 10, 40 e 60 km/h nos testes destinados a avaliar o impacto dinâmico do tráfego ferroviário.
Nos ensaios de frenagem, o comboio deverá travar de forma profunda sobre o tabuleiro, de modo a induzir forças longitudinais significativas e testar o comportamento dos aparelhos de apoio e dos dispositivos oleodinâmicos instalados nas estruturas.
Instrumentação e monitorização estrutural
A monitorização será efetuada através da medição de deslocamentos verticais, rotações, acelerações e variações térmicas. Entre os equipamentos previstos estão sistemas de nivelamento hidrostático, defletómetros potenciométricos, clinómetros elétricos e acelerómetros de elevada sensibilidade.
Os ensaios dinâmicos de vibração ambiente permitirão determinar as frequências próprias dos principais modos de vibração das estruturas, com base na análise das acelerações registadas sob a ação do vento.
Duração e condições operacionais
Os planos indicam que os ensaios terão uma duração estimada entre quatro e cinco dias por viaduto, incluindo instalação e desinstalação de equipamento.
Para a sua realização, está prevista a interdição da via nos períodos de ensaio, bem como a disponibilização do comboio de carga e a autorização para circulação acima dos 60 km/h e travagem de fundo.
Os resultados obtidos servirão de referência para o controlo da deformação futura dos tabuleiros, podendo fundamentar campanhas de monitorização posteriores.
A nova ligação ferroviária entre Évora Norte e Elvas/Caia constitui um dos eixos estruturantes do Corredor Internacional Sul, reforçando a ligação ferroviária entre Portugal e Espanha.















