A modernização da Linha de Vendas Novas assume-se como um elemento central da estratégia ferroviária nacional e como uma infraestrutura determinante para a competitividade económica do país. Para o Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, trata-se de uma intervenção sem a qual o esforço em curso noutros corredores ferroviários ficaria incompleto.
Em declarações ao Jornal ODigital, o governante sublinhou que esta obra garante coerência à rede ferroviária nacional, articulando vários investimentos estruturantes. «Esta obra vai garantir que temos uma rede coerente com o esforço que fizemos na Linha da Beira Alta, o esforço que estamos a fazer na modernização da Linha do Norte e na conclusão da modernização da linha que serve o Porto de Sines», afirmou, acrescentando que o Corredor Internacional Sul, entre Évora e Caia, «precisa objetivamente deste troço de cerca de 70 quilómetros para poder unir o Sul ao Norte de Portugal».
Um troço essencial para a economia nacional
Apesar da sua extensão relativamente curta, a Linha de Vendas Novas é vista pelo Governo como um eixo determinante para a circulação de mercadorias e para a ligação entre os principais corredores ferroviários do país. Miguel Pinto Luz foi claro ao afirmar que «são 70 quilómetros que são charneira para toda a projeção económica do país», sublinhando o papel estratégico desta ligação no contexto nacional.
A adaptação da linha a comboios de 750 metros é, segundo o ministro, um fator crítico para responder às necessidades da indústria portuguesa e para criar condições que permitam atrair novos investimentos. Trata-se, afirmou, de um esforço «absolutamente essencial para a indústria portuguesa e para futuros investimentos que venham a ser atraídos para o nosso país».
Infraestruturar para competir
Miguel Pinto Luz enquadrou a modernização da Linha de Vendas Novas numa visão mais ampla sobre a necessidade de infraestruturar o território nacional. «A infraestruturação do país e esta visão estratégica são absolutamente essenciais», afirmou, rejeitando a ideia de que se trate apenas de grandes obras públicas. Para o governante, o objetivo é claro: «se queremos que o país seja competitivo, capaz de atrair mais investimento e de esse investimento gerar riqueza, temos de infraestruturar o país e capacitá-lo para esse desafio».
O ministro apontou ainda o atual desequilíbrio territorial como um dos desafios a ultrapassar, destacando o exemplo do Porto de Sines, que movimenta cerca de 50 milhões de toneladas por ano e apresenta uma forte componente ferroviária. Na sua perspetiva, este modelo deve ser reforçado e replicado, através da conclusão dos corredores ferroviários em curso.
Coerência na rede ferroviária
Para o Governo, a modernização da Linha de Vendas Novas é indispensável para dar sentido ao conjunto dos investimentos planeados. Miguel Pinto Luz considerou que, mesmo com a conclusão do Corredor Internacional Sul, prevista para o final do ano, «sem esta obra ficaria um país de alguma forma manco do ponto de vista infraestrutural», limitando a capacidade desse corredor.
O ministro defendeu que apenas com a conclusão simultânea das ligações a Sines e da ligação a Norte será possível alcançar a coerência necessária na rede ferroviária nacional. «O Corredor Internacional Sul faz sentido se concluirmos a obra para Sines, mas também esta obra para a ligação a Norte», afirmou, sublinhando que o objetivo é «começar a ter coerência em todo este país que estamos a desenhar».
Um investimento com impacto nacional
Na cerimónia de consignação da empreitada, em Vendas Novas, Miguel Pinto Luz classificou o momento como «um dia histórico» e «um dia importante», justificando a sua presença pela relevância da obra para o país. Apesar de atravessar vários concelhos, o governante deixou claro que o impacto da intervenção vai além da escala local. «Acima de tudo, é o país que é servido», afirmou, sublinhando o alcance nacional da modernização da Linha de Vendas Novas.
A empreitada agora iniciada insere-se num investimento global de cerca de 204 milhões de euros e é financiada no âmbito do Portugal 2030, assumindo-se como uma das peças-chave da estratégia ferroviária para a próxima década, com impacto direto na mobilidade de mercadorias, na competitividade logística e no desenvolvimento económico nacional.
















