A Sala dos Docentes do Colégio do Espírito Santo, em Évora, acolheu esta terça-feira a sessão de lançamento do livro «Diálogo sobre as Alterações Climáticas com os meus netos», da autoria de Jorge Araújo, biólogo, antigo reitor da Universidade de Évora e atual presidente da Assembleia Municipal de Évora.
A iniciativa reuniu docentes, investigadores e público em geral, num momento de reflexão sobre os desafios ambientais contemporâneos e a importância da literacia científica junto das gerações mais jovens.
Ligação à Universidade de Évora
A sessão foi aberta pela Reitora da Universidade de Évora, Hermínia Vasconcelos Vilar, que sublinhou a ligação de Jorge Araújo à instituição, destacando o seu percurso académico e intelectual enquanto Professor Emérito da Universidade.
Uma linguagem acessível para explicar a ciência
Na apresentação da obra, Jorge Araújo explicou que o livro resulta da sua experiência enquanto mestre de escola e da vontade de comunicar ciência de forma acessível. «Não tenho a pretensão de ser um cientista, gosto de procurar formas acessíveis de explicar fenómenos científicos complexos a quem ainda não possui bagagem científica», afirmou.
A narrativa do livro desenvolve-se a partir das perguntas das crianças, assumindo uma estrutura não linear que acompanha a curiosidade natural dos mais novos, permitindo uma abordagem gradual e dialogante aos temas das alterações climáticas.
Dimensão pedagógica e simbólica da obra
A Professora aposentada da Universidade de Évora, Mariana Valente, doutorada em Ciências da Educação – Ensino das Ciências, destacou a dimensão pedagógica e simbólica da obra, sublinhando a opção por uma escrita não linear como forma eficaz de abordar conceitos científicos complexos.
Na sua intervenção, salientou ainda os prefácios assinados por cientistas de reconhecida projeção e a ilustração da capa, da autoria do artista belga Folon, intitulada «O grito», que remete para um período marcante da vida do autor na Bélgica e reforça simbolicamente a mensagem de alerta do livro. Mariana Valente evocou também a metáfora da clareira como espaço de escuta e reflexão, num mundo marcado por profundas transformações ambientais e sociais.
Um livro dirigido aos jovens num contexto de alerta climático
O editor da obra, Fernando Mão de Ferro, classificou a publicação como «um livro invulgar e um pouco fora do tempo», referindo-se à persistência de discursos negacionistas apesar da evidência científica sobre as alterações climáticas. O editor manifestou ainda a expectativa de que o livro possa vir a integrar o Plano Nacional de Leitura.
Um apelo à consciência e responsabilidade coletiva
No encerramento da sessão, Jorge Araújo alertou para a gravidade da situação climática atual, referindo que crianças e jovens são diariamente confrontados com este tema e que é essencial explicar que a humanidade se encontra «na linha vermelha». O autor apontou fenómenos como secas, tempestades, migrações forçadas e profundas alterações sociais e políticas, salientando que os impactos recaem sobretudo sobre as gerações mais novas.
Apesar do alerta, o autor referiu também sinais de esperança associados ao desenvolvimento tecnológico e a mudanças nas políticas energéticas à escala global. Dirigido simbolicamente aos seus netos, o livro assume-se como um apelo à consciência, à responsabilidade coletiva e à imaginação como instrumentos fundamentais para enfrentar os desafios das alterações climáticas.















