Cientistas, organizações da sociedade civil, empresas ligadas ao mar e cidadãos lançaram o “Manifesto de Vila Nova de Milfontes – Pelo Futuro das Florestas Marinhas de Portugal”, um documento que apela à proteção urgente dos ecossistemas marinhos portugueses e à criação de uma Estratégia Nacional para a Biodiversidade Marinha até 2040.
O manifesto surgiu no âmbito da reunião científica “Que futuro para as florestas marinhas de Portugal?”, realizada em Vila Nova de Milfontes entre os dias 13 e 22 de maio. O encontro reuniu especialistas de universidades e centros de investigação nacionais, organizações ambientais, representantes da sociedade civil e operadores ligados ao mar.
Ecossistemas marinhos em risco
O documento alerta para a degradação das florestas marinhas portuguesas, incluindo pradarias marinhas, florestas de macroalgas, jardins de corais, esponjas e outros habitats biogénicos. Segundo os promotores, estes ecossistemas desempenham funções consideradas essenciais para a biodiversidade, produtividade pesqueira, proteção costeira, regulação climática e resiliência ecológica do oceano.
Os subscritores referem que a evidência científica internacional demonstra que muitos ecossistemas marinhos podem ultrapassar limites ecológicos de não retorno, tornando a sua recuperação “extremamente difícil, lenta ou mesmo impossível à escala temporal humana”.
No manifesto, os promotores defendem que «o tempo para agir é agora» e sublinham que «a prevenção da degradação é muito mais eficaz do que tentar restaurar ecossistemas após o seu colapso».
Estratégia nacional até 2040
Além do manifesto, o documento integra uma proposta de princípios orientadores para uma Estratégia Nacional para a Biodiversidade Marinha, baseada numa visão integrada e de longo prazo assente na melhor ciência disponível.
Os promotores defendem que Portugal reúne condições para assumir um papel de liderança na conservação do oceano Atlântico, destacando a dimensão da sua Zona Económica Exclusiva e a existência de uma comunidade científica marinha com reconhecimento internacional.
Documento enviado a entidades nacionais
O manifesto foi enviado ao Presidente da República, ao Governo, à Assembleia da República, instituições científicas, autarquias, organizações da sociedade civil e outras entidades nacionais consideradas relevantes pelos promotores da iniciativa.
















