A Polícia de Segurança Pública (PSP) enfrenta uma falta de efetivos com expressão em todo o país e prepara novos concursos para reforçar e renovar os seus quadros, numa altura em que aumentam as saídas por pré-aposentação e se agrava a pressão sobre o dispositivo policial.
“A falta de efetivos é geral, um pouco em todo o país”, assumiu o diretor nacional da PSP, superintendente-chefe Luís Carrilho, em declarações ao jornalistas, à margem da assinatura de protocolos esta quarta-feira, em Moura e Beja, reconhecendo um problema estrutural que afeta tanto grandes centros urbanos como regiões do interior.
Falta de efetivos agrava-se com saídas e envelhecimento
O responsável sublinhou que a diminuição de agentes resulta, em grande parte, do envelhecimento dos quadros e da passagem de muitos profissionais à pré-aposentação, um processo que classificou como natural, mas que exige resposta contínua ao nível da renovação.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de garantir a entrada regular de novos elementos, de forma a assegurar a capacidade operacional da PSP e a proximidade às populações.
“Temos que também ter uma renovação dos quadros na Polícia de Segurança Pública”, afirmou.
PSP lança novos concursos para reforçar número de agentes
Para responder à falta de efetivos, a PSP tem em curso um plano de recrutamento que inclui a formação de cerca de 500 novos agentes, cujo curso termina em maio, bem como a abertura de novos concursos, numa tentativa de acelerar a renovação dos quadros.
“Temos neste momento um curso na Escola Prática de Polícia, com cerca de 500 instruendos, que irá terminar em maio”, destacou Luís Carrilho, sublinhando que este reforço é apenas uma das etapas de um processo mais alargado.
Paralelamente, encontra-se já em andamento um novo procedimento concursal, que deverá permitir a entrada de cerca de 800 formandos. “Estamos neste momento já com outro concurso onde esperemos que entrem 800”, afirmou, acrescentando que está ainda prevista a abertura de um novo concurso nos próximos meses, com vista à incorporação de novos agentes no início do próximo ano.
O diretor nacional da PSP insistiu que este reforço progressivo é essencial para responder às necessidades operacionais da instituição e acompanhar a saída de efetivos. “Temos que também ter uma renovação dos quadros na Polícia de Segurança Pública”, afirmou, enquadrando o aumento do número de agentes como condição indispensável para garantir uma presença eficaz no terreno.
Nesse sentido, defendeu que o reforço de polícias terá impacto direto na segurança das populações, permitindo melhorar a capacidade de resposta tanto a nível nacional como regional, num contexto em que a pressão sobre o dispositivo policial continua a aumentar.
Critérios de entrada ajustados para aumentar atratividade
A PSP introduziu também alterações nos critérios de admissão, nomeadamente ao nível da idade e da altura mínima exigida, numa tentativa de alargar o universo de candidatos e tornar a carreira mais acessível num contexto de dificuldades no recrutamento.
“Já alterámos relativamente à idade, aumentámos a idade e hoje em dia, do ponto de vista mundial e europeu, há países que nem têm limite de idade para entrada”, explicou Luís Carrilho, enquadrando estas mudanças numa adaptação às práticas internacionais.
Além disso, foram igualmente ajustados os requisitos físicos, com o objetivo de harmonizar critérios com outras forças de segurança. “Alterámos também para termos as mesmas condições de outras forças de segurança, padronizámos a altura”, referiu.
O diretor nacional garantiu, ainda assim, que estas alterações não representam uma redução das exigências, mas antes uma atualização dos critérios de acesso à profissão. Segundo defendeu, o objetivo é tornar a PSP mais competitiva na captação de candidatos, sem comprometer a qualidade da formação nem a capacidade operacional dos futuros agentes.
Apelo à entrada de jovens reforça urgência do problema
Num sinal da necessidade de reforço de efetivos, Luís Carrilho apelou diretamente aos jovens para que considerem uma carreira na Polícia de Segurança Pública, destacando a diversidade de funções e as oportunidades de progressão ao longo do percurso profissional.
“É sensibilizar os jovens de que a Polícia de Segurança Pública oferece uma carreira hoje em dia, tanto do ponto de vista nacional como internacional, muito atrativa”, afirmou, sublinhando a possibilidade de exercer funções em áreas distintas ao longo da carreira.
O diretor nacional detalhou que os polícias podem optar por diferentes especializações, desde o policiamento de proximidade e programas como Escola Segura ou Idosos em Segurança, até à investigação criminal, ordem pública ou unidades especializadas. “Ao longo da vida poderão mudar várias vezes de função específica, e isso é muito importante”, acrescentou, apontando também a estabilidade profissional como um fator relevante.
Presença no terreno continua insubstituível
Apesar do investimento crescente em tecnologia, nomeadamente em sistemas de videovigilância, o diretor nacional da PSP insistiu que os meios humanos continuam a ser determinantes na ação policial e na relação com as populações.
“A tecnologia tem hoje em dia um trabalho muito importante de apoio às polícias”, reconheceu Luís Carrilho, enquadrando o recurso a estes sistemas como um complemento relevante para a segurança.
Ainda assim, deixou claro que esse reforço tecnológico não substitui a presença no terreno. “Mas nada substitui os meios humanos. Os homens e as mulheres que diariamente se dedicam à segurança”, afirmou, sublinhando o papel central dos agentes no contacto direto com os cidadãos.
O responsável destacou que essa proximidade é essencial em várias dimensões da atividade policial, desde o acompanhamento em contexto escolar ao apoio a populações mais vulneráveis, como os idosos, bem como nas vertentes de prevenção e repressão da criminalidade.
Nesse sentido, defendeu que o reforço de efetivos é indispensável para garantir não só uma resposta eficaz, mas também um sentimento de segurança junto das comunidades, numa lógica em que a tecnologia “ajuda”, mas não substitui a presença policial no terreno.















