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Orçamento Municipal de Redondo: Oposição confirma propostas e critica «populismo» do presidente

Notícia atualizada às 17:52h.

O Orçamento Municipal de Redondo foi esta quarta-feira, dia 18, reprovado em Assembleia Municipal, pela CDU, MICRE e MVR.

Como anteriormente noticiado, o presidente da autarquia, David Galego destacou que este chumbo é consequência da falta de «sugestões» da oposição.

Visão que foi desmentida a’ODigital pelas restantes forças políticas, nomeadamente por David Grave, vereador sem pelouros da CDU.

Segundo o próprio, essas afirmações «não têm verdade absolutamente nenhuma», já que «o presidente reuniu com cada uma das forças políticas», anteriormente a uma reunião de Câmara extraordinária, no dia 28 de novembro.

«O que a CDU defendeu e ficou claro nessa reunião de câmara é que tem três propostas que não são de agora», atirou, dizendo que «felizmente as reuniões são transmitidas e qualquer cidadão pode ouvir».

Sublinhou que o orçamento é da «responsabilidade de quem está a governar» e que os comunistas tinham apresentado uma proposta «urgente» de reabilitação urbana do Bairro António Festas, que «desde o anterior mandato» ainda não foi «concretizada».

«Não temos de andar constantemente a apresentar propostas, se aquelas que nós apresentamos não são concretizadas», acrescentou.

Desta forma, o vereador frisou que a CDU votou contra este orçamento «porque achamos que o orçamento da receita está extremamente empolado, em primeiro lugar» e que foi feito de forma «irresponsável, quando foi alertado por todas as forças da oposição».

«Basta olhar aquilo que são as receitas próprias e as provenientes do Orçamento de Estado, para perceber que é praticamente impossível o cumprimento de a execução de 85% da despesa», explicou.

Assim, David Grave vincou que a «única garantia de aumento de receita» é a proveniente do Orçamento de Estado e que, para além disso, «são supostos investimentos que podem ser concretizados e daí virem fundos comunitários para fazer face a isso».

Contudo, os fundos comunitários só estarão disponíveis «depois de a obra avançar», o que «está ainda muito longe», referindo-se à obra na Rua Fialho de Almeida.

Em relação a esse projeto, o comunista destacou que «não é conhecido pelos partidos da oposição» e pelas «pessoas que moram nas atuais habitações, o que é ainda pior».

«Bem sabemos que existe essa necessidade de se avançar, porque há o financiamento garantido via PRR até 100%, mas desde que esta obra esteja concluída até junho de 2026», adicionou, afirmando também que «quem anda nisto há alguns anos sabe que lançar obras em ano de eleições é muito complicado, porque não é só Redondo que quer lançar obras».

O vereador acusou também David Galego de «demagogia» e de «populismo que em nada estranha vindo do PSD», quando a oposição «não conhece absolutamente nada» sobre o projeto.

Com isto, David Grave esclareceu que no dia da reunião, «a posição da CDU era contra», mas que houve hipótese de negociação nas três semanas seguintes. Porém, «o senhor presidente não dirigiu uma única palavra à CDU».

«Com um Presidente que tem este tipo de posicionamento torna-se muito difícil de trabalhar e a atitude do senhor presidente foi irresponsável, que continua a achar que é a lei do eu quero, posso e mando», disse.

Segundo o vereador, o presidente «atirou o ónus do problema para cima da oposição», o que considerou «completamente deplorável».

Já Nuno Festas, do Movimento Viver Redondo (MVR), também em declarações ao nosso jornal, vincou que não acha que tem de «dar propostas seja do que for», porque «não fomos consultados no sentido de dar qualquer tipo de respostas».

O movimento terá sido consultado «única e exclusivamente» para ser apresentado um orçamento, para que «nós nos pudéssemos pronunciar».

Desta forma, a posição do MVR foi tomada «com base na análise dos três anos passados e da não concretização de uma série de promessas».

Nuno Festas voltou a tocar na empreitada da Rua Fialho de Almeida e no «não cumprir aquilo que está prometido», já que «há que garantir os valores para a construção e cumprir o timing da construção que vai ou não prejudicar quem vier assumir funções na Câmara Municipal».

«Não foi dado a conhecer o projeto a nenhum dos vereadores nem ninguém da oposição. Nunca foi dado a conhecer a nenhum membro da Assembleia Municipal, para se pronunciar. E, mais que tudo, nunca foi dado a conhecer aos próprios moradores, não só o projeto, como as condições para onde vão habitar», acrescentou.

Assim, mesmo que admita que as pessoas naquela rua vivam «sim, em habitações pré-fabricadas», considerou que «aquilo que vai ser apresentado, é também uma coisa sem condição absolutamente nenhuma».

«Como arquiteto, sou conhecedor dos métodos construtivos e aquilo não vai ser possível», destacou, dizendo ainda que não lhe parece possível que a obra esteja «efetivada até 2026».

Isto traria «uma grande penalização á partida», o que representaria «uma forma de gestão que não me parece que seja a mais adequada perante esta situação».

«Uma coisa é informar que há uma intenção de executar um projeto, outra coisa é mostrar, dar a conhecer, dar a discutir a oposição, a construção desse mesmo projeto, sobretudo a quem mora ali», frisou, atirando também que «a única pessoa que conhece o projeto» é a Secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa.

«Há aqui uma série de fatores que, na minha perspetiva, estão mal-esclarecidos, tudo com aquela perspetiva do vamos fazer só ‘para inglês ver’ e não pode ser assim», concluiu.

Atualização

Por sua vez, Maria Inácia Cachopas, vereadora sem pelouros do MICRE, voltou ao ponto das propostas, pois é algo que «categoricamente não corresponde à verdade».

Mesmo que em 2023 tenha viabilizado a aprovação do orçamento para este ano, em 2024 isso não aconteceu e o presidente «sabia de antemão», já que «tinha um compromisso connosco».

«Apresentamos uma quantidade de propostas e o senhor presidente assumiu connosco que cumpriria com aquelas propostas», destacou, sublinhando que «o senhor presidente não cumpriu».

A vereadora explicou que o MICRE foi «dando nota disso nas reuniões de Câmara», mas que, numa reunião mais recente, «já com o orçamento praticamente desenhado», Maria Inácia Cachopas teve a «oportunidade de lhe dizer que não tinha cumprido e que não poderíamos viabiliza o orçamento desta vez».

Propostas estas que já constaram nos orçamentos de 2023 e 2024 e que nunca foram concretizadas, como a «cobertura do Quartel dos Bombeiros Voluntários, a construção de um depósito de água nos Foros da Fonte Seca, a construção de umas instalações sanitárias no Parque Infantil de Montoito» e até propostas que, não sendo do movimento, «considerámos que são de extrema importância para o concelho».

Para além disso, a vereadora esclareceu que a este ponto acresce o facto de «a receita estar, na nossa opinião, com um valor extremamente alto».

«Todos sabemos que temos de cumprir 85% da receita, ou seja, tem de entrar nos cofres da Câmara mais de 14 milhões no ano 2025 e esse montante não nos foi explicado», vincou.

Em relação ao projeto na Rua Fialho de Almeida, Maria Inácia Cachopas destacou apenas que essa «é uma falsa questão» e que «a obra pode perfeitamente avançar com o orçamento como está».

«Obviamente que todos concordamos que é uma obra importante para o concelho de Redondo e todos queremos essa obra no concelho. É só canalizar despesas», frisou.

Explicou ainda que «o presidente não pode vir dizer que o chumbo do orçamento inviabiliza a construção de 36 fogos e que as pessoas vão continuar a viver naquelas condições».

«Se queremos fazer, temos de acelerar e há coisas que já podiam estar feitas», atirou ainda.

Veja a visão do presidente da autarquia: Link.

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