O escritor Pedro Chagas Freitas afirmou este fim de semana, em Évora, que a escrita continua a ser um processo de descoberta pessoal e uma forma de lidar com medos, angústias e emoções humanas.
As declarações foram feitas, ao Jornal ODigital.pt, durante a participação do autor no Comboio Literário, iniciativa promovida pela LeYa e pela CP – Comboios de Portugal, que ligou Lisboa, Évora e Vila Viçosa.
Questionado sobre relatos de leitores que afirmam ter sido “salvos” pelos seus livros, Pedro Chagas Freitas respondeu que a escrita tem igualmente um impacto pessoal profundo.
«A escrita salva-me todos os dias», afirmou.
O autor explicou que escreve como forma de compreender a própria identidade e as emoções humanas.
«Às vezes pergunto-me porque é que escrevo. Porque não sei o que estou aqui a fazer. A escrita é esse processo de tentar saber o que é que eu faço com isto que eu sou», referiu.
“Na raiz somos todos muito iguais”
Nas palavras proeridas, Pedro Chagas Freitas refletiu sobre a forma como os livros criam ligações emocionais entre pessoas diferentes.
Segundo o escritor, os medos e as angústias acabam por aproximar os leitores.
«Nós temos os mesmos medos, as mesmas angústias. Se perguntar a toda a gente qual é o seu maior medo, se calhar o medo vai ser muito semelhante», afirmou.
O autor considerou ainda que essa dimensão humana explica a forte ligação criada entre escritores e leitores.
«É isso que nos une também. Nós somos uma comunidade por causa disso», disse.
A esperança “não pode ser vazia”
Pedro Chagas Freitas abordou igualmente o tema da esperança e da empatia, defendendo que discursos excessivamente positivos podem, em alguns casos, produzir o efeito contrário.
«O positivismo pode magoar-nos», afirmou.
O escritor explicou que expressões como “vai correr tudo bem” podem tornar-se problemáticas quando ignoram a realidade emocional das pessoas.
«Nós não sabemos se vai correr tudo bem», referiu.
Segundo Pedro Chagas Freitas, a empatia deve centrar-se não apenas na intenção de quem fala, mas no impacto provocado no outro.
«Empatia não é a minha intenção. Empatia é o que eu provoco no outro», afirmou.
O autor deixou ainda uma reflexão sobre a forma como encara a esperança.
«Esperança é um material inflamável também», disse.
“Um livro é uma viagem”
Nas declarações ao Jornal ODigital.pt, Pedro Chagas Freitas falou também sobre o simbolismo do Comboio Literário e da proximidade criada ao longo da viagem entre autores e leitores.
«Um livro é uma viagem em que nós vamos juntos, autor e leitor», afirmou.
O escritor considerou que o formato da iniciativa permitiu criar um diálogo diferente daquele que normalmente existe através dos livros.
«Aqui podemos conversar directamente um com o outro», referiu.
Pedro Chagas Freitas destacou ainda o ambiente vivido durante a viagem, considerando que iniciativas deste género ajudam a aproximar pessoas em torno da literatura.
«Estarmos aqui unidos pelo amor ao livro e pelo amor a uma história é uma coisa espantosa», afirmou.
“O mínimo é sorrir e dar um abraço”
Ao longo da iniciativa, o escritor foi um dos autores mais procurados pelos leitores para autógrafos e fotografias.
Questionado sobre a relação próxima que mantém com o público, Pedro Chagas Freitas respondeu que encara esse contacto como algo natural.
«Estou feliz porque tenho oportunidade de estar com pessoas que perderam horas da sua vida para estarem um minuto comigo», afirmou.
O autor acrescentou que procura valorizar cada encontro com os leitores.
«O mínimo que eu posso fazer é sorrir, dar um abraço e perguntar o que é que o livro fez com aquela pessoa», disse.















