Os municípios do Lago Alqueva, reforçaram a oposição ao projeto fotovoltaico flutuante previsto para a albufeira e alertam para o impacto no turismo e nos investimentos em curso na região. A posição conjunta foi transmitida à Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em reunião solicitada pela ATLA – Associação Transfronteiriça do Lago Alqueva.
Em declarações a’ODigital.pt, a presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates, afirma que o concelho foi dos primeiros a reagir ao projeto. A autarca sublinha a dimensão da área prevista para instalação. «Estamos a falar de uma área gigantesca no meio do Lago de Alqueva», refere. Segundo a presidente, o projeto está a preocupar investidores já com projetos aprovados no concelho.
Investimento turístico condicionado pelo projeto
A Câmara de Reguengos de Monsaraz tem identificado investidores relutantes em avançar devido ao projeto fotovoltaico. Marta Prates explica que está previsto um investimento hoteleiro de cinco estrelas que trabalha com o mercado norte-americano. «Esse investidor, com projeto aprovado, ainda não avançou porque a questão dos painéis fotovoltaicos o preocupa muitíssimo», afirma.
A autarca destaca o peso crescente do turismo na economia local. «Tenho aqui uma receita muito significativa de turismo e muitas famílias a viverem já do turismo», refere, sublinhando a importância dos alojamentos locais, restauração e empresas de animação turística.
Marta Prates defende que o avanço do projeto pode colocar em causa este setor. «É preciso salvaguardar que estes ovos de ouro não são completamente espatifados por um projeto que vem no sentido das energias renováveis», afirma.
Municípios querem esclarecimentos da APA
A ATLA solicitou uma reunião à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para conhecer o posicionamento da entidade sobre o projeto no Alqueva. A presidente recorda que a APA já emitiu pareceres negativos noutros empreendimentos semelhantes. «Por nós, os painéis não avançam», afirma.
A autarca indica que o processo resulta de um leilão anterior ao atual Governo. «A primeira vez que ouvimos falar nisto foi em 2022, quando a EDP veio à Câmara mostrar o projeto e tentar que fossemos parceiros», esclarece.
Autarcas sentem falta de diálogo
Questionada sobre a crítica de que o Governo ignorou os municípios, a presidente refere que esta é uma situação transversal. «As autarquias e os municípios são permanentemente ignorados e deixados de fora dos grandes processos», afirma.
A autarca recorda outros casos recentes, como o encerramento da Conservatória de Reguengos de Monsaraz. «Acordei um dia de manhã e tinha 10.000 pessoas sem terem onde fazer um cartão de cidadão», relata, sublinhando que não recebeu qualquer aviso prévio.
Marta Prates considera que o diálogo com o Governo também depende do peso político dos representantes eleitos. «Muitas vezes tem a ver com os deputados que temos sentados na Assembleia e com o peso político que têm», afirma, realçando a proximidade institucional que existe atualmente através do deputado Francisco Figueira.
Municípios mantêm oposição ao projeto
Os municípios envolvidos vão continuar a manifestar discordância quanto à instalação de estruturas flutuantes na albufeira. A presidente sublinha que os concelhos dependem cada vez mais do turismo. «Não podemos ser prejudicados numa área que pesa economicamente nas nossas finanças locais», afirma.
Os autarcas aguardam agora a reunião com a APA para conhecer os próximos passos do processo.















