O ordenado mínimo vai ser aumento para 870€ em 2025, mais 50€ que o (ainda) presente salário.
Um aumento de cerca de 6%, mas que pode acabar «por ser absorvido pelo IRS», segundo o presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (NERBE), David Simão, em declarações a’ODigital.
«Apesar de a pessoa ter esse mais esse rendimento, acaba por não o ter disponível mensalmente para fazer face ao seu custo de vida», comentou o presidente.
Mesmo que seja um “alerta” por parte da associação «nos últimos anos», confessou que «as empresas são sensíveis àquilo que são as dificuldades da das suas equipas», desde «o anterior Governo».
David Simão exaltou o «esforço coletivo» que o setor privado tem vindo a fazer, no sentido de «conseguirmos dar cada vez melhores condições e cada vez mais premiarmos os trabalhadores».
Contudo, destacou que também é «necessário» olhar para a «componente fiscal das empresas», já que esta apresenta «risco».
«Há uma carga fiscal extremamente elevada que as empresas têm suportado e, muitas vezes, sozinhas», afirmou, dizendo ainda que «é importante haver medidas compensatórias, para que não se sintam sozinhas nesse esforço, que é realmente necessário».
O presidente vincou que «o Governo tem de olhar cada vez mais a sério para uma reforma fiscal», para que se possa «aumentar o nível de confiança dos empresários e para, consequentemente, aumentarmos o investimento privado».
Porém, as empresas, que vivem «dos seus níveis de gerar receitas para conseguir cumprir os seus compromissos», sentem, segundo o presidente, que «tem de haver um aumento da eficiência, para cobrir este incremento da despesa».
«A produtividade tem de aumentar, ou seja, tem de haver um contributo do lado da despesa e da poupança», acrescentou.
Disse ainda que não espera que a reforma deveria ser apenas como «benefício fiscal», já que «não há uma relação direta do benefício fiscal com o esforço que o empresário está a fazer».
«Queremos que haja um esforço coletivo e uma consciência coletiva», ou seja, «um esforço que que se está a fazer para ir de encontro àquilo que são as expetativas das pessoas, mas que só pode ter uma um efeito sustentável, se compensarmos, ou da parte da despesa ou da parte da receita, este incremento de custos».
Mesmo sendo «absolutamente necessário», são temáticas que «temos vindo a alertar nos últimos anos, para que efetivamente possamos melhorar a vida de todos e que possamos olhar para o futuro de uma forma mais sorridente e com mais confiança».
A nós, revelou-nos algumas medidas que gostaria que integrasse a referida reforma, como por exemplo, «a descida da taxa de IRC».
«Precisamos de empresas que promovam o investimento e a taxa, muitas vezes, é castradora da vida das empresas», justificou.
Exemplificou ainda tudo aquilo que «que diz respeito às tributações autónomas, aos incentivos ao investimento e reinvestimento».
«São medidas que devem ser aplicadas o quanto antes, sobre pena de podermos assistir a uma contração cada vez maior do investimento», complementou.
Confessou-nos ainda que propôs, numa concertação social no Porto, dar um 15º mês «isento de IRS», se o trabalhador «tivesse realmente um índice de eficiência e produtividade que que pudesse ser premiado».
«Isto pelo simples facto de que os escalões de IRS, muitas vezes, acabam por absorver, do ponto de vista da remuneração direta disponível, parte dos aumentos que as empresas dão», destacou.
Ainda que não tenha sido do «entendimento da maior parte da concertação social», a proposta de David Simão seria mais «visível» e «estruturante» para a vida das famílias, «mas que as pessoas realmente recebessem mais um ordenado ao final do ano».
Um rendimento “extra” para o trabalhador que, «muitas vezes sente frustração», mas reforçou que foi uma proposta que «não teve acolhimento das pessoas responsáveis».















