A criação da carreira de bombeiro e a garantia de financiamento regular estiveram entre os principais temas abordados na reunião realizada em Vendas Novas, no âmbito do Roteiro de Proximidade com os Bombeiros, promovido pelo Ministério da Administração Interna.
O encontro, que decorreu a 7 de abril, reuniu o Ministro da Administração Interna, Luís Neves, responsáveis nacionais da proteção civil e representantes das corporações do distrito de Évora.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora, Paulo Alves, afirmou que a reunião teve como objetivo «ouvir as preocupações do sector dos bombeiros», num encontro onde «foram debatidos vários problemas do sector» .
Carreira de bombeiro volta a estar no centro das reivindicações
Entre os temas discutidos, a criação da carreira de bombeiro foi apontada como prioridade. Segundo Paulo Alves, trata-se do principal problema enfrentado pelas corporações.
«O principal problema que nos debatemos atualmente é a criação da carreira do bombeiro», referiu, acrescentando que a ausência de um regime profissional estruturado tem levado à saída de operacionais.
O dirigente explicou que «todos os meses estamos a perder bombeiros para outros trabalhos», sublinhando que «nos bombeiros não há profissão, não é estável» .
De acordo com o responsável, o Governo reiterou o compromisso já assumido anteriormente, indicando que a estrutura da carreira estará em fase de preparação e poderá avançar ainda este ano.
«Foi-nos transmitido que a estrutura da carreira já está feita, está para discussão pública e que até ao final do ano possa estar concluída», afirmou.
Nova organização e financiamento também em discussão
A reunião abordou ainda a reorganização do sistema de comando e a separação entre os bombeiros e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Segundo Paulo Alves, está prevista «uma nova estrutura de comando para os bombeiros», com a criação de um comando próprio, uma reivindicação antiga do sector.
Foram igualmente discutidas matérias relacionadas com o reequipamento das associações e a reorganização territorial.
No plano financeiro, o presidente da Federação indicou que foi apresentada a possibilidade de criação de um modelo de financiamento regular.
«Houve uma promessa de que os bombeiros passem a ter um contrato-programa que assegure financiamento anual», explicou .
Contacto direto com o terreno visto como sinal relevante
Para Paulo Alves, a realização desta reunião no terreno representa uma mudança na relação entre o Governo e as corporações.
«É a primeira vez que me lembro, com 30 anos nos bombeiros, de um ministro vir ao terreno ouvir as associações», afirmou, considerando que este contacto direto permite ao Governo conhecer melhor as necessidades do sector .
O responsável acrescentou que o ministro pediu confiança às corporações e garantiu que está a analisar os principais dossiers, com o objetivo de encontrar soluções para problemas acumulados ao longo dos anos.















