As associações humanitárias de bombeiros continuam a enfrentar dificuldades financeiras que podem comprometer a sustentabilidade da atividade operacional, defendeu Manuel Marçal Lopes, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre, em declarações ao Jornal ODigital.pt durante as comemorações do 46.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Sousel.
O dirigente federativo considerou que uma das principais reivindicações do setor continua a ser a criação de uma carreira para os bombeiros, uma medida que, segundo referiu, tem sido sucessivamente defendida junto dos sucessivos governos.
«Temos vindo a reivindicar isso junto do Governo e este até foi um bocadinho mais longe que outros no programa de Governo, incluindo algumas das nossas ambições, nomeadamente a exigência de uma carreira para os bombeiros», afirmou.
Carreira dos bombeiros exige sustentabilidade financeira
Apesar de reconhecer sinais positivos relativamente ao trabalho que está a ser desenvolvido pelo Governo nesta matéria, Manuel Marçal Lopes alertou que a criação de uma carreira profissional só será viável se as associações dispuserem dos recursos financeiros necessários.
«O problema é que sair uma carreira ou sair legislação não vai servir de nada se as associações não tiverem dinheiro. Tanto faz que esteja no papel uma carreira, porque ninguém vai receber nada se não houver capacidade financeira», afirmou.
Segundo o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre, o Estado deve assegurar o pagamento dos custos reais dos serviços prestados pelas corporações, particularmente no socorro pré-hospitalar e no transporte de doentes.
«Importante seria que o Estado conseguisse pagar aquilo que todos os dias vamos reclamando em todos os fóruns: o custo efetivo dos serviços que praticamos», defendeu.
Para Manuel Marçal Lopes, sem esse reforço financeiro, mesmo que a carreira dos bombeiros venha a ser aprovada durante este ano, poderá continuar a ser difícil concretizá-la na prática.
Reforço das Equipas de Intervenção Permanente é um passo positivo
Durante a sua passagem por Sousel, o dirigente destacou também a criação de uma segunda Equipa de Intervenção Permanente nos Bombeiros Voluntários de Sousel, uma medida recentemente aprovada.
Embora considere que o reforço não resolve todas as necessidades operacionais das corporações, entende que representa um avanço importante.
«Não será suficiente para manter 365 dias por ano uma primeira intervenção profissionalizada, mas é uma ajuda e é um caminho», afirmou.
Manuel Marçal Lopes acrescentou ainda que, no distrito de Portalegre, foram aprovadas quatro novas Equipas de Intervenção Permanente, considerando que o resultado obtido constitui um sinal positivo para o setor.
Mensagem ao novo comandante de Sousel
Nas declarações ao ODigital.pt, o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre dirigiu também uma mensagem ao novo comandante dos Bombeiros Voluntários de Sousel, David Sádio, que tomou posse durante as comemorações do aniversário da corporação.
O responsável desejou sucesso ao novo comandante, reconhecendo que terá pela frente uma missão exigente num contexto marcado por desafios operacionais e financeiros.
Ao mesmo tempo, deixou uma palavra de reconhecimento aos bombeiros da corporação, sublinhando o papel que desempenham diariamente junto da população e desejando que tenham as condições necessárias para continuar a cumprir a sua missão de socorro e proteção.















